"Todo eu sou qualquer força que me abandona."
Alberto Caiero


Sobre o mar:
25 anos
Publicitária
Sagitariana
Admiradora do mar
Admiradora da lua
Ama música
Ama literatura
Ama as artes

Para falar com o mar Como está o mar hoje: Meu humor atual - i*Eu!

Ando escutando:

Chico Buarque
Zélia Duncan
Indigo Girls
Jevetta Steele
Luiz Melodia



Na lista de leitura:

A Arte da Guerra

O homem duplicado

Fragmentos de um Discurso Amoroso

Não se pode ser feliz e amar ao mesmo tempo

Onde o mar vai:

A Menina no Espelho
Alma do meu Sonho
Alma Perdida
Apesar de tudo
Avesso dos Olhos
Bloco de Notas
Brisa do Mar
Crazy Salad
Desnudas
Entre Nós
Lullaby
Menina do Vento
Meu vício desde o início
On Camera
Ou Isto Ou Aquilo
Pedaços de Pessoa
Rafas
Recanto da Lua
Revelações
Transmutação
Walkwoman




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Sexta-feira, Dezembro 26, 2003



Fim do ano. Fim do dia. Fim da semana.
Acabou de tudo um pouco.
Algumas coisas recomeçam.
Algumas coisas começam.

Eu sonho na avenida. Te vendo sorrir.
Trago meu sorriso através do seu.
Me divirto com os braços menores ao redor.
Me divirto com mãos pequenas em mim.
Me divirto com meu próprio sorriso.
...Amar é...

A praia fica para a próxima. O mar é distante hoje.
Talvez seja a hora de enterrar o castelinho de areia.
Desmontar, deixar que a maré leve os quartos e as salas.
Ruir, deixar a água inundar tudo dentro de mim.
Talvez seja mesmo a hora do adeus.
Ou quem sabe mudar de praia. Ou quem sabe ir para o campo.
Ou quem sabe ir para o alto mar. Me aventurar.

Eu sonho com você, com ela, comigo, com a outra.
Eu sonho todos os dias sonhos vãos.
Eu sonho com a minha morte "matada".
E talvez o castelo no mar esteja prester a ruir.

A maré está enchendo, a lua junto.
A maré não vai deixar areia para que eu possa escrever.
A maré vai me levar. A maré me levar... Maré me leva.
O castelo? Não posso mais proteger.
Forças da natureza são incontroláveis.
Por isso o mar sempre me fascinou.

Hoje no mar há uma placa: "água impura".
Hoje no mar a placa conta a mentira para que ninguém se aproxime.
Hoje no mar só existo eu. Hoje e amanhã e ano que vem.
Eu no mar.... por pouco tempo. Pouco...
Ainda não é um adeus por completo.
Mas este mar está com os dias contados...

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Terça-feira, Dezembro 16, 2003

Minha casa não é mais minha.
Me sinto estranha aqui e ali.
Mesmo dentro do meu quarto. As paredes me repelem.
Não sinto nada. Total ausência do sentir.
Não sinto as vozes, não sinto as presenças.
Tudo o que quero está longe daqui.
E não é distante. Mas está fora daqui.
Me encontro fora daqui.

Decido caminhar. Chego a lugar algum.
Penso em ir até ali do lado. Me falta vontade.
Preciso fazer umas compras. E tudo está cheio.
Estou cheia daqui. Preciso voar.
E não que me encontre lá ou ali.
Me encontro fora daqui.

Tenho o sentir na ponta dos dedos.
Me faltam as risadas inocentes.
Me faltam os sapatos certos.
Me faltam caminhos diferentes.
Falta eu me perder por aí.
Me encontro fora daqui.

E tenho que te agradecer pelos dias.
Você me estica a mão e puxa.
Você me mostra o outro lado da rua.
Você me deixa respirar e ser eu mesma.
Você está num dilema comigo.
Você é especial como sempre foi e sempre será.

Me encontro fora daqui.
Me econtro por aí.
Me encontro nas palavras tortas.
Me encontro nos versos da música.
Me encontro fora daqui.

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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003

Nesses dias reencontrei o passado.
O Rei Lagarto me visitou. Em sonhos e na televisão.
Me fez lembrar do começo. De onde saíram as palavras.
No tempo de cavaleiros e leitos luxuriantes.
No espaço dos assassinos e do não-sentido das coisas.
Jim Morrison acima de tudo falava sobre o amor.

Acordei com ele ao meu lado. Rezando baixinho versos sentimentais.
Levantei e tomei banho com seus olhos fugidios regando meu corpo.
Voltei para cama. Caneta bic preta na mão e folhas soltas.
Poesias esquecidas fluiam da minha mão.
Escapava um sacrifíco aqui. Corria um sentimento ali.
Sangue pingava no papel. De cor forte e contrastante.
O vermelho numa parede, cavaleiros correndo para o jardim.

No espelho meu reflexo, mais uma surpresa. O cabelo mudou.
De ontem para hoje. Ontem não estava assim. Eu lembro.
Ou será que mudou e eu nem reparei. Eu lembro. Eu lembrava.
O rosto ainda inexpressivo. O sorriso escondido. Os olhos.
Ah os olhos. Não são mais os mesmos. Fundos. Escuros. A íris.

Quero mudar minha pele. Meus sentidos e meus poderes.
Quero mudar a cama de lugar. Quero mudar de rua.
Vou ali na janela, dou um grito. Molho a mão.
Pingo mais sangue pelo jardim. Me escuto na esquina.
Me perco no movimento rápido de uma sombra.

Próxima parada. Talvez um alucinógeno.
Próxima parada. Um ônibus azul na estrada.
Próxima parada. Talvez uma tatuagem.
Próxima parada. Que seja onde for...

Go Insane - The Doors

Once I had a little game
I liked to crawl back in my brain
I think you know the game I mean
I mean the game called 'go insane'
Now you should try this little game
Just close your eyes forget your name
Forget the world, forget the people
And we'll erect a different steeple.

This little game is fun to do.
Just close your eyes, i'm going too.
And I'm right here, no way to lose.
Release control, we're breaking through


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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003

Tenho andado pelas reticências.
Ausente de mim e num reflexo qualquer.
Viajo, ando, guio e falo.
Parte de mim apenas examina o que faço.
Remédios, taquicardia e um pequeno sofá.

Fiz meus trilhos pelas reticências.
Arregaço as mangas no sol duro.
Coloco mais uma e mais outra.
Faço uma estrada paralela.
Sou abandonada pelas pernas.

Te sorrio como nunca.
Me falam que te olho com muito "querer".
Meus olhos nunca mentiram.
Eu agora minto em ter que afastar.
Eu me engano na mentira que invento.
Tenho que ir mais para lá.
E as reticências sempre me apontam você.
Calma que eu consigo. Eu me ajudo e te ajudo.
Eu me afasto. Construo a estrada paralela à sua.

Estranhamente o novo remédio me deixou pior.
O coração parece enfraquecer cada vez mais.
Talvez uma morte para uma nova vida.
Talvez esse coração aqui esteja falhando mesmo.
Por partir ou por chegar. Ele falha. E me fala.
Por não estar e não poder. Por não chegar. Por não partir.

E onde foram parar as reticências?
Se descuido elas logo fogem para perto de ti.
Vão saber de ti e me trazem alguns pontos e exclamações.
Eu te sinto nas reticências. Nos espaços que não contém palavras.
Ali ainda posso imaginar. Nas reticências.



Amanhã... não mais que amanhã...
E a gente se fala pelas reticências...
Meu aniversário...

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