"Todo eu sou qualquer força que me abandona."
Alberto Caiero


Sobre o mar:
25 anos
Publicitária
Sagitariana
Admiradora do mar
Admiradora da lua
Ama música
Ama literatura
Ama as artes

como chegar no fundo do mar? Como está o mar hoje: Meu humor atual - i*Eu!

Ando escutando:

Chico Buarque
Zélia Duncan
Indigo Girls
Jevetta Steele
Luiz Melodia



Na lista de leitura:

A Arte da Guerra

O homem duplicado

Fragmentos de um Discurso Amoroso

Não se pode ser feliz e amar ao mesmo tempo

Onde o mar vai:

A Menina no Espelho
Alma Perdida
Apesar de tudo
Bloco de Notas
Cidade de Deus
Entre Nós
Haze
Haze & Friends
Lullaby
Meu vício desde o início
Mondo Redondo
On Camera
Ou Isto Ou Aquilo
Rafas
Recanto da Lua
Transmutação
Walkwoman




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Quarta-feira, Outubro 29, 2003

Hoje te sussurro baixinho.
Que somente seu coração escute com a intensidade que te mando.
E que seu jardim tenha as flores para quando eu voltar.
E que seu rosto tenha o sorriso para quando eu voltar.
E que você esteja para mim quando eu voltar.

Dia Branco - Geraldo Azevedo

Se você vier pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol... se hoje o sol sair
ou a chuva... se a chuva cair
Se você vier até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Um pedaço de qualquer lugar
Neste dia branco se branco ele for
Esse tanto, esse canto de amor
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo
Se branco ele for
Esse canto, esse tanto, esse tão grande amor, grande amor


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Segunda-feira, Outubro 27, 2003

Daqui de dentro um pequeno silêncio.
Chico atravessa o oceano para me trair.
Eu que me contenho todos os dias.
E Chico me traz aquela saudade arrebatadora.
Um pequeno choro comportado em meus olhos.

Rumo ao retorno. Rumo de casa. Rumores.
A estrada começa a se fazer.
Siga aquela com a cor amarela - diziam no filme.
Eu? Quero de outra cor. Pode ser azul?
Siga o que você quer. Não olhe mais para trás.
Chega de errar tanto assim.
Chega de esconder e nunca chegar.

A volta fecha um curso de mim.
Talvez um ciclo, um círculo, um quadrado, um polígono.
Os meus lados são infinitos.
Matemática e pscicologia que me expliquem.
Dois braços que me regem.

Faço do meu amor por você algo invencível.
Sou Quixote lutando contra moinhos.
Sou Dante escrevendo a Beatriz.
Sou poeta e amante. Sou vício e arte.
Sou cinema, teatro e ópera.
Sou uma mulher que ama sem fim.
Sou mulher que está apenas chegando.
Faço do meu amor por você o dia e a noite.

Dirijo aqui para outra cidade.
Caminho aqui para o outro lado da rua.
Amanhã tenho a certeza de que preciso.
Faço os mesmo papéizinhos que você.

Anseio a volta como a um filho.
Talvez eu esteja para nascer.

"Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia dos seu dorso
O longo espraiar das mãos de espuma..."

Sofhia de Mello Breyner Andresen


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Terça-feira, Outubro 21, 2003

Eu já comecei e apaguei isso aqui 5 vezes.
Tenho sim o que falar. Mas onde foram as tais palavras?
Então faço o seguinte.
Colo um pedacinho do texto que escrevi no final de semana.

Mas antes quero apenas dizer do amor que sinto.
Que aumenta sempre mais.
Por que? Aquele motivo pelo qual sei que sou muito feliz por sua presença.
E aí chega um email seu e meu mundo fica mais... sempre mais.
Por causa dessas palavras que me tiraram o respiro:
"Já perdi a sintaxe, então eu uso aqui o verbo amar + o pronome você + o advérbio muito"

Agora vai um pedacinho aí do que tenho aqui dentro de mim:

"As cores desaparecem pela minha janela. Vejo tudo mais denso. As tais cores que até
outro dia me chamavam para sair e passear. Hoje o cinza me convida a ficar em casa,
deitar no sofá e deixar um pouco de nostalgia na minha face. Escolho outras músicas
para ouvir hoje. Retiro de dentro de mim o melhor que pode me proteger neste inverno.
Eu? Tenho medo do frio. Das sensações posso dizer que seria a pior. Tenho medo do frio.

Também imagino o frio como algo meio sado-masoquista. Sinto vontade de não sentir
frio, e me sinto atraída por ele. Enquanto tiro a roupa para tomar banho sinto minha
pele arrepiando, os pêlos eriçando, a carne ficando um pouco mais trêmula. Ao mesmo
tempo em que tenho vontade de correr para o chuveiro, sinto um leve prazer em ficar
nua me olhando no espelho.

Depois do banho ainda com o olhar no espelho, da carne sai uma pequena fumaça.
O calor se dissipa dentro e fora de mim. Eu pingo uma água límpida dentro da névoa
que se formou no cômodo. A toalha agora se despede da minha alma. Atraso os movimentos
para que possa apreciar com calma o ritual. Destravo um pote. Espalho uma loção pele
à dentro. Fecho os olhos para eternizar o prazer que sinto naquele momento.
A tal fotografia sensorial perfeita."

F.G.


PS: Amor, estou torcendo por você. Aqui de longe mando boas energias.
Te desejo todo o sucesso nesses e em tantos outros desafios.
Estou com você.

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Quarta-feira, Outubro 15, 2003

Estive em Firenze e Pisa. Há seis dias longe daqui.
Estive na galeria mais famosa.
Estive frente a frente com as maiores obras de arte.
Estive perto de Botticeli, Michelangelo, Donatello, Caravaggio...
Estive num restaurante gostoso.
Estive em palácios e igrejas.
Estive o tempo todo sozinha.

Um amigo?! Um cara egípcio da banquinha de fruta perto do hotel.
Um amigo?! Um cara de uma lojinha de sandubas.
Uma amiga?! Uma moça do hotel que me dava bom dia todos os dias.
E eu vi tudo com estes olhos aqui. De dentro de mim.
Registrei cada momento especial e confuso que passei.
Entendi que preciso poder falar com alguém sobre o que sinto.
Assinalei mais um pequeno conhecimento de mim.
Tá marcado que em Pisa. Lá onde a torre é torta sabe?!
Lá é o lugar que eu senti um arrepio na espinha.
Num lugar chamado Batistero e no cemitério também.
Pisa não é somente uma torre torta. Ah.. somente. Até parece.
Pisa é perto do Arno. Pisa é meio celeste.

Com toda a emoção que senti estando frente a frente com a Vênus.
Eu apenas pude expressar meu pequeno choro. Emoção pura.
Um quadro já te fez chorar? Pois Botticelli me fez chorar.
E mais tarde um Caravaggio também me fez chorar.
Como foi que eles puderam fazer isso comigo?! Como?!
E eu chorei emocionada calada quietinha. Toda feliz.
Lembrando das aulas de história da arte.

Foi realmente pura e completa arte. Foi mágico. Foi meio sonho.
Foi andar por uma cidade meio desconhecida, meio conhecida.
Com um mapa na mão, um cigarro na bolsa, um pouco de fé,
um tênis e uma malha, um sorriso e umas palavras gentis.
Foi assim que eu fui parar lá.

E agora? Falta Roma. Logo eu vou.
Mas também logo eu volto.
Hoje eu confirmei. Amanhã reconfirmo.

Hoje não tem barulho debaixo da janela.
Tá ouvindo? Só uma musiquinha aqui...

"Ah se eu pudesse no fim do caminho
Achar nosso barquinho e levá-lo ao mar
Ah se eu pudesse toda poesia
Ah se eu pudesse sempre aquele dia
Ah se eu pudesse te buscar serena
Eu juro eu pegaria sua mão pequena
E juntos vendo o mar, dizendo aquilo tudo
Quase sem falar"

(Ah! Se eu pudesse - Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)


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Quarta-feira, Outubro 08, 2003

É natal? Não? Hmmm. Posso tirar uma linceça poética?
Eu nunca mandei cartinhas para o tal de Noel.
Hoje eu quero mandar uma. Posso?
Claro que posso.

Querido Noel,

Nem é natal, nem está perto nem nada. Mas sabe o que é?
Eu não me comportei bem este ano. Eu aproveitei tudo que tive.
Eu andei para todos os lados. E andei bem viu. Minhas pernas que o digam.
Até viajei. Aliás aproveitei o fato que estou mais perto da sua casa e mando a carta aqui da Europa.
Mas olha Noel se for me responder que seja logo viu. Senão te mando o meu outro endereço.
Escuta, será que a gente poderia conversar pessoalmente? Fiquei com vergonha de escrever.
Quem sabe sair para tomar alguma coisa? Sabe como é né. A bebida sempre solta a gente.
Mas acho que não né. Você deve ser um cara muito ocupado e não quero tomar muito do seu tempo.

Então Noel, eu queria te pedir um presente. É sim isso mesmo que você leu. Ah não fica bravo hein.
Que custa dar um presente para uma menina de 25 anos (quase 26)?! É fora da norma?
Mas se for olha, eu não tenho vivido dentro da "norma" mesmo. Não vai fazer diferença.
Então, o meu presente. Eu queria que você apenas iluminasse a cabeça e a alma de uma pessoa.
Para que ela veja o que pode viver desta boa vida que tem ao redor. É que ela precisa de óculos.
Não Noel, não é para mandar óculos não. Mas para dar uma clareada no sentir dela. Tirar as coisas
que tanto a incomodam. Dar aquela famosa ajudinha sabe?! O famoso empurrãzinho. Mas olha lá hein,
não empurra muito forte que senão machuca. E nem precisa cair de bunda na cabeça dela. Só dar
aquele "toque" para que ela entenda que a vida pode e é muito mais simples.

Ah olha, para mim?! É isso que pedi aí em cima. Por que aí eu posso ser mais feliz. Tá vendo?!
Uma coisa leva à outra. E eu por tabela acabo com um belo sorriso no rosto. E um coração mais
quente diga-se de passagem. Oh Noel, olha, se não for pedir muito será que isso pode ser antes
do natal?! Quem sabe poderia ser assim. Daqui a pouco? Ou quem sabe um presente de aniversário.
É que ando meio impaciente sabe?! Essas coisas de coração são assim. Acho que você me entende.
Afinal de contas existe a senhora noel né?! Poxa mas onde você encontrou essa mulher? Me conta
a sua história. Como a convenceu a ir morar aí? Me ensina? Também preciso convencer alguém.

Já te enchi bastante né?! E ainda que me antecipei tanto à data correta. Mas quem disse que as
coisas tem hora certa para acontecer?! Eu gosto de fazer as coisas ao meu tempo. Bom, voltando.
Me dá uma ajudinha hein. Olha lá aquela pessoa que te pedi. Ajude-a a fazer o melhor caminho.
Mesmo que não seja comigo. Mas tire toda essa angústia que ela tem vivido. Manda aquela luzinha
para que o caminho tenha um sentido melhor. Para que as estradas sejam mais visíveis.
Tira o tédio que ela tanto sente dentro de si. Faça-a ver que ela tem um lindo sorriso!

É isso aí. Agora eu vou deitar. Sabe aqui está bem tarde. E antes que eu me arrependa da carta
eu prefiro ir e enviar logo para você. Oh Noel, vê se manda ao menos um resposta hein. Não gosto
de ficar no escuro. Olha, como ela falou vou fazer papéizinhos aqui para esperar a resposta.
Ou sua ou dela. O que vier antes é melhor né?!

Obrigada aí cara. Já de poder escrever me sinto melhor sabia? Quem sabe é você já ajudando.
Vai saber né?! Tudo de bom aí para sua mulher e para os que te ajudam e para as renas. Por falar
nisso será que rola um passeio de rena? Ahhhhhh é pedir muito né?! Olha se der manda um Lego tá?
Eu adorava montar Lego. Ou mesmo um quebra-cabeça. Para ir passando o tempo enquanto espero.
Chega né?! Eu demoro com despedidas.
Beijos para o pessoal aí.

F.


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Sexta-feira, Outubro 03, 2003

Eu sei que a gente pode andar sobre a água.
Também sei que podemos voar bem longe.
Certeza que depois do primeiro minuto vem o segundo.
Assim como não me falham os números na soma.
Teimo em somar e multiplicar.
Subtraio apenas alguns dias implacáveis.

Em alguns pontos chega um branco insaciável.
Em outros pontos o sol teima em esquentar.
Em alguns pontos vem chuva forte.
Em outros a neblina encobre belas paisagens.

É um país riquíssimo. Mas infeliz segundo as estatísticas.
As pessoas aqui ficam em vigésimo sexto lugar.
O primeiro lugar em felicidade fica com a Nigéria!
Hein??? Nigéria? É isso mesmo. Aparceu na televisão.
E sabe que eu acredito nisso. E acredito que sou mais feliz.
É sou mais feliz no meu país que aqui.

A fé as vezes não vem fácil não.
E os sonhos somem um pouco.
Mas aí vem uma pessoinha e muda tudo.
Ou mesmo a pessoinha vai e tenho que ser mais forte ainda.
E nem deixa transmitir toda a força que a gente quer.
Mas fica o pensamento aqui. E esperança claro.
Que amanhã tudo se resolve e volta ao normal.

É uma pena que a noite seja curta para mim. Aqui.
Ao mesmo tempo os dias tem sido mais velozes.
E eu fico horas a fio conversando comigo.
Me pergunto e me deixo sem respostas.
As vezes rio das respostas que dou.
Outras vezes fico admirada comigo.
É isso mesmo, estou me conhecendo melhor.
Qual o problema em ter conversas assim?!

Na verdade estou procurando a minha terra prometida.
Seja ela onde for. Espero que dentro do coração de alguém.
Fico aqui até às três da manhã. Ou mesmo até às quatro.
O sono me foge, sorrindo e querendo brincar.
Pois nas tardes os pesadelos são um pouco mais freqüentes.
E nas noites um refúgio em braços longíquos me acalentam.

Aqui meu corpo sente saudade do seu.
Meu olfato pede seu cheiro.
Meu tato pede você.
Meus sentidos pedem.
As vezes preciso que você me ame com mais urgência...


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