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"Todo eu sou qualquer força que me abandona." Alberto Caiero 25 anos Publicitária Sagitariana Admiradora do mar Admiradora da lua Ama música Ama literatura Ama as artes como chegar no fundo do mar? Marés anteriores:
Onde o mar vai: A Menina no Espelho Alma Perdida Apesar de tudo Bloco de Notas Cidade de Deus Entre Nós Haze Haze & Friends Lullaby Meu vício desde o início Mondo Redondo On Camera Ou Isto Ou Aquilo Rafas Recanto da Lua Tabuleiro Transmutação Universo Paralelo Walkwoman |
Domingo, Setembro 28, 2003
Contabilizando os fatos. Desde que cheguei, ou seja, há 37 dias: - calor de quase 40 graus - ventos que destruíram barcos em um lago - estradas com trânsito de quase 6h - 4 terremotos (um deles escala 7) - chuvas torrenciais que alagaram algumas grandes cidades - neblina que criou um acidente envolvendo mais de 100 carros - black out que apagou a Itália inteira Sendo que este último ítem com o pequeno agravante. Nunca antes havia acontecido tal coisa. E também pelo fato que a Itália culpa a França. Que por sua vez culpa a Suiça. E eu humilde pessoinha brasileira de nacionalidade e de coração. E eu?! Que porra que estou fazendo aqui no meio de tudo isso?!!? Vou aprendendo mais alguns caminhos que se cruzam. Vou cadenciando meu passo para não fazer tanto barulho. Fico quietinha olhando a televisão. Não traduzo. Quero dois lugares que ainda não existem. Quero um prato sobre a mesa posta. Com dois copos. Fico sentada apenas esperando chegar o aviso. Atenção. Próximos capítulos. Atenção. Imprevisível. Sempre assim. O que mais me assusta. Tudo aquilo que não posso controlar. E eu morro de medo quietinha na cama. Deitada. Com meias azuis para esquentar os pés. Pensando. Ouvindo o barulho da rua estrangeira. Seguindo com os olhos raios que entram pelas frestas. Assustando com portas que batem ao lado. Pedindo para que o dia seguinte seja melhor. Cogitando que talvez as vezes o ontem seja o hoje. Misturo palavras conscientes de certa alegria. Procuro entrelaçar o pensamento. Torço a manga do moleton. Não cai idéia nenhuma. Espero amanhã. Talvez uma resposta. Mais uma idéia. Eu preciso voltar com algo mais concreto. Tenho que voltar assim. Mais concreta e completa. Pelas minhas cobranças. Não por causa dos outros. Chegou o frio por aqui. Regado a chuva. Eu me esquento escrevendo. Tentando te achar aqui nas entrelinhas. Eu pensava que seria mais fácil. Resumindo: Tá difícil. "A sombra, que cria vida Pelas curvas tortuosas do saber Sorrateira, está sempre ao seu encalço" F.G mensagens na garrafa: / Quarta-feira, Setembro 24, 2003
Milton me disse isso agora de noite. E ela me fez sentir "Enquanto a chama arder (...) Tudo viver ao teu lado (...) (...)Todo amor é sagrado Todo amor é sagrado sim" Boa noite querida. Te amo. Te espero dentro de mim. Com aquela certeza de pontualidade britânica. Como uma pequena pintura imóvel num museu. Como uma pessoinha que ama outra pessoinha. Com eu te amo e você me ama. O nosso é mais um amor sagrado. O Milton tava certo... NFHMILY mensagens na garrafa: / Quarta-feira, Setembro 17, 2003
Não. A solidão ainda não passou. Amenizou. Mas não passou. Sim. Eu fui ver o jogo do Milan no campo do Milan. Sim. Foi maravilhoso. Sim foi espetácular. Não. Ainda não arrumei trabalho. Sim. Esses dias o tempo tem demorado a passar. Eu canto Tribalistas com a rádio italiana. Eles estouraram no verão aqui e ainda continuam. Eu cantorolo Indigo Girls porque me lembra você. Ando daqui para lá. Vou ao cinema. Filmes somente dublados. Vozes estranhas. Janto e almoço e ando e respiro um ar do norte. Penso e existo como no sul. O céu do norte é diverso do sul. Eu me sinto mais do sul que do norte. Mudanças de hemisférios. Agora anseio por uma chegada. Ela deve falar comigo por agora. Ou daqui a pouco. Ela pode aliviar esta minha solidão. Me sinto ainda em banho maria. "...Ando só, pois só eu sei, por onde ir..." Recebo cartas que me deixam mais feliz. Recebo notícias todos os dias. Recebo carinho e atenção. Recebo mais e... E coloco aqui o que me mandaram hoje. Com vocês o mar: Ao longe o mar - Madredeus Porto calmo de abrigo De um futuro maior Porventura perdido No presente temor Não faz muito sentido Não esperar o melhor Vem da névoa saindo A promessa anterior Quando avistei ao longe o mar Ali fiquei Parada a olhar Sim, eu canto a vontade Canto o teu despertar E abraçando a saudade Canto o tempo a passar Quando avistei ao longe o mar Ali fiquei Parada a olhar Quando avistei ao longe o mar Sem querer, deixei-me ali ficar mensagens na garrafa: / Domingo, Setembro 14, 2003
Sozinha em um novo caminho. Transitava por novas ruas. Bondes, pessoas, olhos, cães. Nada era igual. Ouvi ritmos dentro de si. Saudade era no momento o que mais alto se ouvia. Seu destino era o Planetário. Explicação: "Noites de setembro". O Planetário era dentro de um parque. Igual perto da minha casa. O Planetário é menor. Diferente do que tem perto da minha casa. No Planetário sozinha. Olhando para os lados. No Planetário ainda aceso olhando para os lados. Que deu uma pequena dor de estar completamente sozinha. Pela primeira vez a solidão a incomodou. Talvez pela opção de estar só não fosse a dela. Talvez pelo fato de que se pudesse não estaria só. Talvez porque quisesse dividir aquilo com alguém. Eis que o sol vai se pondo. Surgem a Lua e as estrelas. No Planetário. O céu do hemisfério norte é diferente. No Planetário. Existe a Ursa Maior. E Águia. E a estrela Polar. No Planetário. Ficou menor que um grão. Se "espaciou", se tornou espaço e estrela. Levou o pensamento tão longe que formou rostos conhecidos. Se aproximou tanto de si que se emocionou. No Planetário. O céu ficou mais longínquo ainda. No Planetário. Viu que a solidão poderia ser uma inimiga. Se envolveu com as crianças que suspiravam ao olhar para cima. Se deixou. Apenas assim. Na solidão quente da tarde. Milão, final de tarde. Volta do Planetário. Museu de Arte Contemporânea = Maluquices. Milão, final de tarde. Duomo. Sol se pondo. E uma lembrança sozinha. Denovo sozinha. Como nos outros dias. Aos que me lêem me desculpem pelo egoísmo que a solidão me traz. mensagens na garrafa: / Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Oi. Como vai?! Sim sou eu! Aquela que é dona do pedaço. Sim estou bem. Sim a viagem está sendo muito boa. Sim tenho três mil e novecentas dúvidas. Sim eu estou com saudades. Sim eu tomei um puta tombo na banheira. Sim estou com o peito e a bunda doloridos. Ahhhh isso é bemmmm legal. Mas nada que não possa ser curado com uns copos de vinho. Dúvidas e mais dúvidas e algumas outras dúvidas. Pontos de enterrogação por cada esquina que passo. Contruções e reformas preenchem meu campo de visão. Estradas cheias de carros internacionais. Alemanha, França, Suíça, Bélgica, Itália, Inglaterra... Esqueço de onde venho e para onde vou. Sou estrangeira em minha própria terra. Perdi a vontade hoje. Perdi completamente. Encontrei um passado que me era tão gostoso. E reencontros são sempre difíceis. Agora? Tem o amanhã. Que pode ser ainda mais difícil. Pode ser. Talvez não seja. Só amanhã mesmo para saber. A quem fica minha saudades expressas em pequena lágrimas. Sinto falta do ontem. E do antes de ontem também. Gosto de não saber do amanhã. Gosto também de tomar bastante sorvete. Gosto de guiar e não saber para onde vou. Gosto de prever as coisas. Gosto de você. Sinto saudades. As vezes falta um pouco de compreesão. E claro. Segundo conta minha mãe. Esta noite dormindo eu fiquei falando em italiano. Ahhhhhhhhhhh tá. Bemmmmmmm normal. mensagens na garrafa: / |