"Todo eu sou qualquer força que me abandona."
Alberto Caiero


Sobre o mar:
25 anos
Publicitária
Sagitariana
Admiradora do mar
Admiradora da lua
Ama música
Ama literatura
Ama as artes

como chegar no fundo do mar? Como está o mar hoje: Meu humor atual - i*Eu!

Ando escutando:

Chico Buarque
Zélia Duncan
Indigo Girls
Jevetta Steele
Luiz Melodia



Na lista de leitura:

A Arte da Guerra

O homem duplicado

Fragmentos de um Discurso Amoroso

Não se pode ser feliz e amar ao mesmo tempo

Onde o mar vai:

A Menina no Espelho
Alma Perdida
Apesar de tudo
Bloco de Notas
Cidade de Deus
Entre Nós
Haze
Haze & Friends
Lullaby
Meu vício desde o início
Mondo Redondo
On Camera
Ou Isto Ou Aquilo
Rafas
Recanto da Lua
Tabuleiro
Transmutação
Universo Paralelo
Walkwoman




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Terça-feira, Julho 29, 2003

Se alguém me viu ou ouviu hoje.
Além dos sorriso que distribuí.
Eu cantava algo como isso aqui:

Love is Holy - Kim Wild

Love is holy, don't forget it
It will heal you if you let it
Love will strip you, leave you naked
Love is sexy, love is sacred

I put my faith in me and you
Somehow i know that we'll put through
Oh i feel my life passing by
Sometimes it makes me want to cry
Thank god i've got you by my side

Every night i hope and pray
Nothing takes your love away
I lie awake just to watch you breathe
Love is holy when you lay with me
Love is holy baby stay with me


I don't understand the world today
Is everything made just to throw away
But you and i (you and i)
Get closer as time goes by (till i die)
I feel my love intensify
Baby you're a spiritual high

Every night i hope and pray
Nothing takes your love away
I lie awake just to watch you breathe
Love is holy when you lay with me
Love is holy baby stay with me

Love is holy, don't forget it
It will heal you if you let it
Love will strip you, leave you naked
Love is sexy, love is sacred

Every night i hope and pray
Nothing takes your love away
I lie awake just to watch you breathe
Love is holy when you lay with me
Love is holy baby stay with me
(every night i hope and pray)
(nothing takes your love away)
I lie awake just to watch you breathe
Love is holy when you lay with me
Love is holy baby stay with me


mensagens na garrafa: /

Receita básica matinal.
Como melhorar as segundas?
Vendo seu amor chegar com um sorrisão.
Olhando seu amor chegar na sua direção.
Sentindo aquele abraço gostoso.
E tudo mais que tem direito.

Receita básica matinal.
Como melhorar as terças?
Fazendo muito amor durante a madrugada de segunda.
Fazendo muito amor durante a manhã da própria terça.

Eu fiz a duas e agora estou trabalhando com dores no rosto.
De tanto sorrir.
De tanto suspirar.

Bom ter você comigo.
NFHMILY

mensagens na garrafa: /
Domingo, Julho 27, 2003

Parabéns querida amiga!
Nesta e em outras datas.
Meus parabéns pessoa pessoa que você é.
E por tudo que representa.
Eu digo que nossa amizade é nova.
Eu digo também que é verdadeira.
Estarei sempre por perto.
Pode contar comigo!!!
Te quero sempre feliz.
Com este belo sorriso estampado no rosto.
Parabéns pela pessoa que você é!

Domingo morto. De folhas mortas.
Molhadas e esparsas pelo jardim.
As camélias estão lindas.
Brancas e estonteantes.
Um arranjo de flores.
Minha casa enfeitada.
Minha vida mais florida.

É bem verdade que o frio voltou sorrateiro.
Mas ainda durmo de bermuda e camiseta.
Tenho sido mais calorenta.
Eu era mais friorenta.
Agora. Eu continuo mudando.
Sigo a passos largos de encontro às estações.
Procuro numa gaveta um lenço.
Encontro fotos e cartas.
Corro os olhos por linhas escritas à mão.
Escolho o que vai no lixo e o que fica.
De resto são apenas lembranças.

Da ligação? Nada. Nenhum retorno.
Eu preciso dizer que estou indo embora.
E do outro lado da linha apenas um recado.
Uma caixa postal simples assim: "deixe seu recado".
E eu tento deixar. E deixo. Em vão.
Esta semana tentarei novamente.
Eu só queria dizer que estou indo.
Queria te dar um abraço e um até mais.
Mas não importa.
Há anos não nos vemos mesmo.
Não faria diferença alguma.
Mas eu queria dizer...

Amanhã é segunda. Vou ao consulado renovar o passaporte.
Última etapa para que tudo esteja certo.
Depois é esperar para que às 13h eu seja feliz.
Espero ansiosa o toque me chamar.
E no final da tarde poder respirar aliviada.
E na noite poder jantar ao seu lado.
E no começo da madrugada sentir seu corpo junto ao meu.
E no meio da madrugada poder sentir seu cheiro.
E no começo da manhã acordar em seus braços.
E depois te levar.
E apenas pelo simples fato de ficar com você.

Ahhhh Deus. Hoje falo algo inédito!
Que venha logo esta maldita segunda!!!!!!!!
Que eu já não aguento mais de saudades.

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Quinta-feira, Julho 24, 2003

Você já se sentiu presa? Amarrada? Atada?
Eu estou me sentindo assim.
Com pés e mãos atados.
Com dedos presos.
Com a boca atada.
Com os ouvidos atados.
Estou completamente presa em meus pensamentos.

Se me distraio consigo não pensar.
Se converso e ouço também consigo não pensar.
Mas em todos os outros momentos.
Não consigo me desvencilhar dos tais pensamentos.
No chuveiro. No carro. Na música que ecoa no recinto.
Nas esquinas. Nas conversas paralelas. Em tudo.
Eu tento jogar véus em meus pensamentos.
Na cama eu tento me cobrir até a cabeça.
Tampo os ouvidos neste silêncio sepulcral.
Sempre gostei desta palavra. Sepulcral.
Minha boca solta palavras inaudíveis.

Eu fico à deriva. Eu fico excitada e exausta.
Eu fico ansiosa. Eu fico sozinha.
Eu estou sozinha.

E denovo me chega uma pequena tristeza.
Causo polêmica dentro de mim.
E por mais que eu tente esconder e manter uma certa aparência...
Nada. Todos me descobrem em minha naturalidade.
Se me silencio estou estranha. Se falo estou anormal.
Se rio mais alto ou mais baixo.
Se ando mais rapidamente ou vagarosamente.
Se pisco mais ou menos.
Se mexo mais ou menos nos anéis.

O anel. Aqui no dedo. Denovo.
Você não deve estar com o seu.
Vai ver é isso que me enfraquece.
Minha kriptonita.

Lágrimas e Chuva - Leoni
(versão cantada pelo próprio Leoni)

Eu perco o sono e choro
Sei que quase desespero
Mas não sei por que
A noite é muito longa
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer
Será que alguma coisa
Nisso tudo faz sentido
A vida é sempre um risco
Eu tenho medo do perigo

Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela
Mas ninguém me vê
O mundo é muito injusto
Eu dou plantão dos meus problemas
Que eu quero esquecer
Será que existe alguém
Ou algum motivo importante
Que justifique a vida
Ou pelo menos este instante

Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto


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Terça-feira, Julho 22, 2003

Quem? Eu? Ah, tá. Eu to aqui sim.
Onde? Ih, não vi. É mesmo? Mas quando?
Agora? Ahhh acho que passou o agora.
O relógio foi mais rápido que eu.
Bateu mais uma hora. Agora já se foram duas.
Tem outras pela frente.
Daqui a pouco chega.
Hein? Tá falando comigo? Estava distraída.
Pode repetir? Estava aqui pensando numa ária.
É ária sim. De ópera. Um trechinho.
Qual era? Qual era oque? Ah, a tal ária.
Se chama "Coro a bocca chiusa".
Faz parte da ópera Madama Butterfly composta por Giacomo Puccini.



Hein? Por que justo essa? E por que hoje?
Porque acordei com saudades do meu avô.
Ele tinha paixão por este trecho.
Na verdade ele era apaixonante.

Oh, nonno eu to indo lá conhecer onde você nasceu.
Estou indo lá saber onde começou a sua vida.
Olha, vai comigo tá. Me pega pela mão e me mostra tudo?
Oh nonna, eu também to indo lá conhecer onde você nasceu.
Estou indo lá saber onde começou a sua vida.
Olha, vai comigo tá. Me pega pela mão e me mostra tudo?
Ei, vocês dois. Eu estou morrendo de saudades de vocês.
Muitas saudades mesmo. Daquelas que faz a gente rir sozinha sabe.
Muitas saudades mesmo. Daquelas que faz a gente chorar sozinha sabe.
Olha, é daqui a pouco que eu vou.
Então vê se vocês preparam as malinhas aí para me acompanhar.
A gente se encontra na chegada tá bom?
Eu vou estar de calça jeans e camiseta preta.
Ah que bobagem, até parece que vocês não me reconheceriam.


(a divina e eterna Maria Callas)

Por que então eu escolhi escutar uma ária que não é cantada?
Quer dizer, cantada ela é. Apenas não tem letra.
É um coro de bocas fechadas ("Coro a bocca chiusa").
Eu diria que cintila no ar. O coro.
Tal como teatro grego. O coro é indispensável.

Chegou a noite e estou de boca fechada.
Apenas murmurando alguma coisa. Talvez uma ária.
Eu bem queria estar falando.
Mas apenas faço parte deste coro.

Neste trecho em questão da ópera tudo muda.
É o trecho mais... mais... mais...
Me fugiram as palavras. É a transição.
Quando se sabe de tudo.
Uma morte pode estar próxima.
Ou quem sabe uma salvação.
Ela se chama Cio-Cio-San. Na ópera.
Ele se chama Pinkerton. Na ópera.
O soldado que retorna anos depois.
Um filho deixado para trás.
Uma mulher irremediavelmente apaixonada.
Atos de amor incompreensíveis.
E aquele olhar do regresso sempre esperado.
O barco avistado do alto do monte.

Como a gente tinha comentado ontem.
Você se lembra?
Penélope esperando por seu Ulisses.
Hoje? Sou Penélope.
Amanhã? Serei Ulisses.

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Segunda-feira, Julho 21, 2003

Vai marinheiro. Que o rio te espera.
Vai marinheiro para sua pesca no mês de julho.
Vai marinheiro para sua caçada. Seus peixes e sua vida.
E depois marinheiro você volta.
Pois o mar lhe agrada mais.
Pois o mar lhe dá pérolas escondidas em estranhas ostras.
Pois o mar lhe atrai mais.
Pois o mar lhe completa os olhos.

Segunda de noite e é quase partida.
Eu te sinto aqui dentro de mim.
São dias mais quentes esses de agora.
Eu sei mais hoje que ontem.
Eu sei que tudo está mudando.
Eu sei que as coisas se tornam mais sérias.
Eu sei, eu sei, eu sei.

Não tarda a sua volta. E eu te espero no cais.
De calça jeans e blusa preta.
De pés descalsos.
Sentindo o frescor da marola chegando.
Tendo os pés molhados pela bênção sagrada.
Sou abençoada pelo mar que me acolhe.
Te vejo partir. Te vejo já chegando.
Sei que sua volta é rápida.
Os dias e as noites me ajudarão.
São noites com sol e dias estrelados.
São mensagens tardias e saudosas.
São mensagens de carinho regadas a amor.

Vai marinheiro para o seu rio.
Vai marinheiro.
Com a certeza de que o mar.
Seu mar.
Único mar.
Lhe aguarda.
Não no hoje.
Mas no sempre.

O Mar - Pedro Ayres Magalhães

não é nenhum poema
o que vos vou dizer
nem sei se vale a pena
tentar-vos descrever
o Mar

e eu aqui fui ficando
só para O poder ver
e fui envelhecendo
sem nunca O perceber
o Mar


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Domingo, Julho 20, 2003

Eu ando ausente pela quantidade de trabalho.
Quero vir e falar. Quero mostrar.
Quero sentir e ouvir.
Mas a tela me dói os olhos.
Preciso de descanso quando chego em casa.



Final de semana? Sexta corri para encontrar com ela.
Sexta de noite. Decisão quase dez horas da noite.
Bar, pessoas engraçadas. Abraços num sofá.
Vinho tinto. Bom atendimento. Risos.
Muita felicidade de estar perto.
Você é para mim e eu sou para você.
Te amo de pés descalços e com todos os meus dedos.
Te amo de costas. Te amo de frente. Te amo com seus olhos quase verdes.
Te amo em abraços e beijos inesquecíveis.
Te amo em toques quentes. Te amo em noites frias.
Te amo em almoços e tardes debaixo de hedredons.

Um beijo em particular. Aquele no qual você dormiu.
Durante o beijo. E sua língua continuava a me beijar.
Foi um beijo e tanto. Foram minutos expressos numa ausência.
Sua prensença se dissipou na minha boca.
Seus olhos fecharam, seu corpo levitou.
Meus braços e minha boca foram seus guias.
Sentidos dispersos numa cama grande.
Suave foi o toque que te proporcionei.
Mais uma diferença que faz com que sejamos tão semelhantes.
Te senti as lágrimas quentes. Te senti inteira.
Te sinto ainda dentro de mim.
E tudo colaborou. Inclusive a noite e o dia.
O sol e a lua pela metade.
Nós fomos o inteiro. Nós completamos a sexta e o sábado.
Não teria porque ser diferente.

Então eu volto de noite na estrada. O mesmo caminho.
Não chorei. Apenas me senti sendo guiada pela noite.
Os faróis não me incomodavam. Nada mais pode me incomodar. Nada.
Eu sei. Que você é para mim assim como sou para você.
Eu te completo e você me completa.
Somos conjunto infinito de sentidos.

Agora é domingo. Agora é quase final da tarde.
Agora tenho mais novas idéias por causa de você.
Tenho decisões quase tomadas. Tenho novas visões.
Tenho certezas e vontades diferentes.
Você me dá novas idéias e eu as sigo.
Eu me torno mais gente grande ao seu lado.
Eu me torno outra pessoa. E vou até onde realmente quero estar.

Aquele curso que fiz no segundo semestre do ano passado.
Eu tirei nota A. Excelente segundo o papel da instituição.
Difícil aluno de fora tirar essa nota. Foi o que me disseram.
E eu tirei. E isso mudou tudo denovo. Mudou meus pensamentos.
Eu tirei A. E agora faz toda a diferença para o amanhã.

Entramos numa nova contagem regressiva.
Faltam exatos 30 dias. E minha passagem já está na mão.
30 dias. uau... falta pouco.
Amanhã serão 29.
E depois 28 e assim por diante.

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Terça-feira, Julho 15, 2003

Ontem de noite. Na cama. Sozinha.
Um frio na espinha. Não era bem um frio qualquer.
Na verdade nem era tão frio assim.
Mas meu corpo todo estava arrepiado.
Não, também não era tesão ou qualquer coisa do tipo.
Também não tinha vento.
Eu estava de pijama. Debaixo de um hedredon.
Muito calor. Minhas mãos suavam. Soavam também.
E aquele arrepio interminável.
Pronto, acho que agora passou.
Sim, não o sinto mais. Passou.

Logo depois me aconchego melhor na cama.
Relaxo o corpo e outra sensação me toma.
Como se um véu estivesse caindo. Um pano de seda.
Algo de dentro de mim se soltava até meus pés.
Senti nitidamente um pano de seda passando por mim.
Algo saía de dentro de mim. Para o pé da cama.
Eu fiquei estática. A sensação? Nem boa nem ruim.
Naquele momento eu senti algo mudando.
Borboleta que sai do casulo.
A luta para sair. Sem contar com ajuda.
Uma borboleta quando é ajudada tem as asas atrofiadas.
Um véu simples, acho que de cor rósea. Saiu de mim.
Algo mudou. O som mudou. A cor mudou. A noite mudou.

O dia amanheceu. Paro o carro. Faço um pedaço a pé para o trabalho.
Sol batendo no olho. Não consigo enchergar o final da rua.
Passo pela sapataria. Passo pelo bar. O bar tem um toldo azul.
Uma frase ressoa: "Não ouço mais com os mesmos olhos."
Um vento me congela os pés. A caminhada cessa.
Ainda não cheguei. Vejo reflexos no prédio espelhado.
Ainda não cheguei. Não estou muito distante.

Vasculhei muito até achar isso aqui.
Não é exatamente como eu queria terminar o post.
Mas ao menos é para vocês saberem que Cazuza voltou para mim.
O rebelde poeta. O rebelde cantor.
A vivacidade com que ele canta. O Frejat que me desculpe.
Mas vida na música é Cazuza.

Não amo ninguém - Cazuza

Eu ontem fui dormir todo encolhido
Agarrando uns quatro travesseiros
Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby
Pra nem eu nem Deus ouvir
Fazendo festinha em mim mesmo
Como um neném, até dormir

Sonhei que eu caía do vigésimo andar
E não morria
Ganhava três milhões e meio de dollars
Na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda vida

Mal acordei, já dei de cara
Com a tua cara no porta-retrato
Não sei por que que de manhã
Toda manhã parece um parto
Quem sabe, depois de um tapa
Eu hoje vou matar essa charada

Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro


mensagens na garrafa: /
Domingo, Julho 13, 2003

"si può amare da morire
ma morire da amore no"


Ai que frio na barriga que dá. Roda gigante e montanha russa.
Parque de diversão. Nem é tão divertido assim.
Eu gosto. Adrenalina. Emoção. Experiência. Medo. Sorriso. Grito.
Não eu não fui no Hopi Hari (ecat).
Estou falando das minhas emoções mesmo.
Metáforas. Neruda. "O carteiro e o poeta".
Carteiro ou poeta.
Eu entrego minhas cartas e faço meus poemas.
Sou carteiro de divã. Me recosto nas histórias.
Ouvidos atentos. Coração aberto.
Sou poetisa. Me atiro em verbetes e pronuncio com fervor.
Pele que pragueja qualquer canção de ninar em braços silenciosos.

Eu comecei a desistir de entender algumas coisas.
Relutei em falar outras. Adiei conversas.
Preciso me encontrar com aquela que foi o começo.
Precido me encontrar naquelas palavras antigas.
Que me são trazidas hoje em dia por outra pessoa.
Preciso ligar e encontrar quem me serviu de guia.
Preciso não precisar mais desta chama dentro de mim.
Falam que se chama Cecília. Como a grande poetisa.
Para mim foi mais que um poema.

Aí eu passo o domingo. Direto do sábado que tomei vinho.
"In vino veritas"
Hoje sim eu ri de algo que não era bom para mim.
37-10= 27
27-05= 22
Estou ainda afiada na matemática que a vida me traz.
Faço contas, subtraio, aumento e divido com facilidade.
Contabilizo ganhos e perdas.
Sou número perdido dentro do conjunto universo.

Agora? Estou te odiando por fazer este terrorismo comigo.
Agora? Tenho esta raspa de felicidade temporária dentro de mim.
Agora? Posso dizer que estava um pouco mais feliz antes.
Agora? Ainda to esperando a merda do telefone tocar.
Agora? Eu sei que odeio com veemência não poder ligar.
Agora? Eu não sei o que sentir amanhã.
Agora? Eu sei que meu respiro volta amanhã.
Agora? Queria que o agora fosse um outro dia mais para frente.

Pode chamar o guincho.
E manda a camisa de força também.
Pois o mar está enloquecendo.
Mais valor à letra por favor. O cantor blargh.

Um Sonhador - Leonardo

Eu não sei para onde vou
Pode até não dar em nada
Minha vida segue o sol
No horizonte desta estrada
Eu nem sei mesmo quem sou
Nessa falta de carinho
Por não ter um grande amor
Aprendi a ser sozinho
E onde o vento me levar
Vou abrir meu coração
Pode ser que no caminho
Num atalho ou num sorriso
Aconteça uma paixão

E vou achar
Num toque do destino
O brilho de um olhar
Sem medo de amar
Não vou deixar
De ser um sonhador
Pois sei vou encontrar
No fundo dos meus sonhos
O meu grande amor


Está aí bem explícito.
A viagem e a ausência.
Eu tenho o meu grande amor. Por isso sinto.
A falta que me faz não te ter por perto.
Não que eu queira que algo aconteça.
Mas vou me deixar ser levada por qualquer maré.
Não qualquer uma. Mas alguma que me traga consolo.
Preciso de colo e consolo. Preciso do carinho.
Nos meus sonhos ainda tenho você.
Ainda te encontro e posso te procurar.
Sem tempo nem hora nem estação.
Mas é sonho.

E eu deixo para a volta. Como falamos.
A tal decisão fica no dia em que nossos olhares se reencontrarem.
Mas isso tem tempo ainda.
Enquanto isso eu sigo aqui.
Hoje mais rindo do que triste.
Pois algumas coisas aprendi que tenho que levar na brincadeira.
As vezes acho que você extrapola nas brincadeiras.
As vezes acho que você não me ouve.
As vezes acho que você me ama demais e não consegue lidar com isso.
E aí vem a lua cheia. E você me chama e diz que me ama.
E aí vem o amanhã e te vejo com outros olhos.
E aí... passa tudo que foi ruim. E fica tudo mais azul...

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Quarta-feira, Julho 09, 2003

Ontem e hoje eu aprendi.
Que as vezes se faz necessário abrir a porta.
E deixar seu amor voar um pouco.
Na esperança que volte depois.
Que as vezes temos que nós mesmos abrir a porta.
Deixar o ar entrar e circular pelos cantos.

Eu abri esta porta uns meses atrás.
Deixei meu amor ir. Não o sentimento. Mas a pessoa em si.
E depois de uns dois meses ela voltou.
Não totalmente. Em partes. As partes fortes voltaram para mim.
Olhos quase verdes de certa forma voltaram a ser meus.

Eu abri propositadamente esta porta.
Deixei meu amor andar por outras cidades. Andou, andou andou.

Agora a minha porta está aberta. A tal viagem.
Passagem comprada. 20 de agosto.
Eu que vou andar por aí.
Vou tomar vento no rosto.
Mas depois eu volto.
Meus olhos totalmente castanhos voltam depois.

Ritmo de corrida. Passo acelerado.
Mais uma noite que eu disse que te amo.
Sou vêemente e sincera.
Não seguro o choro e fico te falando sem parar.
Pois te quero olhos quase verdes. Que sejam sempre meus.
Não que apenas me olhem. Pois o mundo é maravilhoso.
Mas que tenham sempre esta ternura.
Que sejam de certa forma sempre meus.

Voa passarinho. Canta mais alto.
Corrente quente a nordeste.
Atravessa o oceano que tem sido.
Te procura em asas imaginárias.
Te acha. Volta passarinho.
Seja pombo-correio.
Seja livre.
Seja sempre de sua dona.
Abra a porta e se deixe levar desta vez.

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Domingo, Julho 06, 2003

Sol. Calorzinho. Ansiedade dentro deste peito.
Quentura, calma e tranqülidade.
Saudade, vontade, desejo e dedicação.
Pensamentos em coisas boas.
Meio Mary Poppins isso não?!

Bom, eu sei que o meu domingo. Foi o domingo.
Um almoço num restaurante de um museu.
No meio de um belo jardim.
Entre pássaros e pessoas bonitas.
Uma taça de vinho e outra da água com gás.
Algumas fotos antigas. Muitos sorrisos.
E uma paz que invadiu a tarde.
Comida saborosa. Conversas. Verdades e declarações.
Algo inusitado. Fui agarrada no banheiro.
Nunca tinha acontecido isso comigo.
Obrigada por mais essa! Adorei sua iniciativa.
Andamos no museu, andamos de braços e pernas coladas.
Ganhei abraço enquanto estávamos andando para pegar o carro.
Ganhei um carinho enorme nesta tarde de domingo.
Ainda bem que você me ouviu quando eu disse que precisava de você.
Obrigada por se dar para mim algumas horas.
Somos sempre mais não é?!
Somos sempre esta caixinha de surpresas.
Somos água e vinho juntas. Nós somos isso e muito mais.

E você sabe que te amo da ponta do meu pé de criança.
Até a raiz do meu cabelo. Passando pelo sorriso que você me faz ter.
Chegando dentro de mim feito punhalada certeira num coração.
Aliás falando nisso. Exames perfeito. Nada mais que emoção mesmo.
O emocional afeta o meu físico. Sempre assim. Sustos...
Aliás falando nisso. Ando com um bom físico.
Parece que as alegrias e as dores do amor me fazem melhor.

Domingo ah doce domingo. Domingos assim me fazem forte.
Me fazem enfrentar as temidas segundas.
Me fazem sentar na varanda e rezar agradecendo.
Não sei rezar. Mas faço da minha maneira. Agradeço.
Tenho você aqui. Sei que você me leva contigo.
Temos a tal sintonia. E eu sempre te surpreendo.
E quando você acha que já viu tudo.
Eu sempre tiro mais um coelho da cartola.
Mágica nova. Eu aprendo sempre e mais. Para você.

Conta para mim vai?!
Quem te levaria num restaurante lindo assim?
Quem acharia um restaurante num museu?
Com um gramado e uma tarde linda.
Tudo pensado perfeitamente.
Pássaros, bom serviço, árvores, vinhos, sobremesa.
Me fala? Quem mais faz isso por você?
Quem te levaria pelas ruas dando segurança?
Quem te indica os caminhos?

E mesmo assim ainda não consegui te mostrar que o caminho para dentro de mim é o mais seguro.
E mesmo assim ainda não consegui que você se sinta completamente segura comigo.
Não é capricho não. Aqui dentro de mim fala alto o coração.
E mesmo assim te guio pelas ruas e te pego na mão.
Te dou beijos nos faróis.
E damos moedas aos equilibristas.
Somos iguais a eles.
As vezes deixamos a bolinha cair.
Levantamos, sorrimos, andamos. Ganhamos mais felicidade por aí.

Eu vou agora. Estou feliz demais. Não dou conta disso dentro de mim.
Eu sabia que ia ser feliz neste domingo. Eu estou feliz neste domingo.
Obrigada por me trazer este grande e sincero sorriso.
Olhos que brilham para você. Dois olhinhos gulosos por você.
Orelhas que te ouvem com fervor.
Boca que te fala e te beija com paixão.
NFHMILY.
Te levo comigo.

PS: esse museu e restaurante são reais. E aqui dentro da cidade de sampa mesmo.

mensagens na garrafa: /
Quinta-feira, Julho 03, 2003

Bilhetinhos passados na escola.
Entre uma conversa e outra, grandes revelações.
Passando por várias mãos os bilhetes chegam.
Hoje eu ganhei um bilhetinho de papel. Daqueles iguais da escola.
Um bilhetinho dentro do meu laptop.
Um bilhetinho tão bom de se ganhar.
Um bilhetinho de carinho.
Me emocinei ao ler.
Obrigada. Eu digo o mesmo para você.
Fica uma amizade no ar sim.
O que precisar conta comigo.

O exame? Acusou um problema. Sábado farei outros.
Não deve ser nada. Só para garantir eu faço.
Eu sei que não é nada.
Como disse minha mãe. "Você está com o coração na boca."
Deve ser isso mesmo, as mudanças e o coração saltando.
Como eu falei para minha mãe outro dia.
"Eu estou indo para fugir, e estou indo para me encontrar."
Eu arrisco agora tudo aquilo que me é verdade.
Eu arrisco agora um renascer.
Eu arrisco agora tudo aquilo que sempre lutei.
Eu me arrisco e risco agora.
Que se faça o fogo!

Afinal de contas querido Quiron suas feridas não se curam.
Pois saiba conviver com elas e aprenda com elas.
Acredite na sua sabedoria e que a imortalidade não tem cura.
Transmita pelas palavras seus conhecimentos.
Crie novos discípulos e continue o aprendizado.
Curve-se diante do saber. Tema o outro.
Espere que sua hora chega. Sempre tarda a noite neste céu.
O dia raia com mais pressa e cansa o olhar fatigado.
Mal cai a tarde e o centauro já galopa pela mata.
Bebe da água mais límpida e admira sua imagem.
Centauro galopa e sua metade humana lhe passa sensações.
O vento no rosto apenas o impulsiona.
Corre centauro que chega a sua hora.
Veja centauro. Sua metade cavalo dirige com fervor.
Corre, corre centauro... é sua hora... vai...

Não olho para trás agora. Ainda espero um sinalizador no mar.
Bote naufragado a espera de um farol.
Uma ilha qualquer, num lugar qualquer.
Milhas oceânicas que me rodeiam agora.
Afundada em pensamentos.
Mergulho em apinéia. Sem aparelhos.
Me sinto livre no mar. Sem aparelhos.
Sou peixe e baleia, sou tubarão e camarão, sou caramujo e enguia.
Mimetizo as cores do vasto oceano de imagens que se formam.
Minha íris sorri para seus lábios quentes. No fundo do mar.
Me encontro numa arraia e suas asas abertas a navegar.
Sou sol e tempestade para uma jangada.
Ajudo pescadores e me sento à beira do convés.
Vou num navio cargueiro encontrar aqueles olhos quase verdes.
Arrepio pelo vento litorâneo na costa saudosa de uma prainha.
Sou estrela no mar e carangueijo na praia.
Sou rocha que peita ondas fortes.
Sou piscina tranquila em mar aberto.
Um atol e um ilha isolada.
Sou discípula de netuno e refugio meu amor.
Sou ostra que abriga uma pérola negra.
Sou pérola negra abitando uma ostra.

Amanhã silencio mais um canto.
A voz do mar está ressoando dentro de mim.
Mar me chama. Não quero ir.
Mar me tenta. Eu quero ir.
Coqueiros mostram a direção do vento.
Amanhã silencio mais um canto.
Sussurro uma música dentro de mim.
Pois as vezes sinto falta de ouvir.
Ou meu canto. Ou o canto de uma sereia.

Herbert sabe o que quero dizer:

"Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas
Pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?"


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Terça-feira, Julho 01, 2003

Seis, sete... onze assuntos para tratar.
Ainda dói meu peito. Ainda sinto mal estar.
Amanhã saberei o que é. Deve ser dor ausente.
Deve ser dor presente e incongruente.

Acontece que ficou mais frio. E eu tento me aquecer.
Quero dizer o quanto vou sentir falta. E quando tento...
Apenas sou repelida. Não querem saber da aproximação.
Parece que estou traindo alguém quando vou embora.
Não é traição. É apenas uma fuga saudável.
Pois sinto saudades daquelas lembranças do futuro.
Vou de encontro a um futuro já tantas vezes sonhado.
Guardado em pequeno detalhes na minha memória.
E eu tento apenas estar mais perto.
E tudo que fazem é me deixar distante.
E eu digo que vou sentir saudades... apenas no pensamento.
Pois quando chego para verbalizar... apenas me expulsam.
Mas doa a quem doer. SIM eu vou sentir SAUDADES!
Pronto, consegui fazer meu desabafo sereno.

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar? SIM cai.
Dois encontros com a mesma pessoa desconhecida.
A não-volta para casa. Um jantar se torna outro alívio.
As duas vezes eu estava procurando paz e a encontrei.
As duas vezes eu fui achada.
Sentada na mesa. Olhares e uma pergunta que rondam.
Passarinho voando poucas vezes para fora do ninho.
Passarinho tem medo de grandes distâncias.
Passarinho arrisca e consegue um bom jantar.
Conversas novamente e desta vez trocam-se números.
Conversas num bairro perdido dentro de mim.
Sinto falta de algo que nunca tive.
Sinto saudade de algo que ainda virá.
Sinto que tem alguma coisa no ar que o torna mais consistente.

Eu tenho procurado tanto. Mas tanto.
Tenho tentado te trazer perto de mim por este mês que ainda tem.
Tenho tentado mostrar que vou sentir. Que estou sentindo.
Tenho tentado demonstrar e querer que você sinta.
Tenho tentado me arremessar de pontes e construir lagos.
Tenho tentado ao máximo me superar em tudo.
Tenho tentado não me abalar...
Tenho tentato de achar. E não consigo...
Tenho tentado me achar. E não consigo...
E aí quando te encontro.
Do pranto faz-se o riso.



Esta noite estranha. De passos largos e descrentes.
Esta noite eu ia me levar para longe daqui.
Esta noite me trouxe uma grande angústia partida num quadro.
Pintura abstrata de sensações reprimidas.
Escuro do quarto que navega numa solidão descompromissada.
Aperto o cinto. As calças hoje estão mais folgadas.
O coração está mais apertado também.
Olhos fundos de jaboticaba recém caída da árvore.
As tais jaboticabeiras dão estes frutos suculentos.
Hoje eu comeria meus olhos como prato principal.
Tristeza ao molho doce. Suave sabor de menta.
Odores e preces rondam a minha cabeça.
Eu preço, eu peço, eu apresso, eu aprecio, eu pertenço.
Cadeia alimentar da qual quero ser encalusurada.
Sinto cheiro de sexo no ar e apenas aguça me paladar.
Quero romper barreiras físicas e lhe trazer para meu lado.
Silencio numa espera infindável do seu corpo perto do meu.
Agonizo em uma prece de terços remendados.
Te quero junto a mim. Te desejo aqui antes e agora.
Não espero mais nem um segundo para me jogar.
Atiro pedrinhas ao mar... formando te nome.
Sou rápida no sentir e no querer. É tudo para ontem.
Meu pensamento anda vertiginoso.
Continuarei estas palavras em outras páginas.
Termino meu esclarecimento dizendo:
Não sou de pedir ajuda. Sempre arrumo as coisas sozinha. Me viro.
Mas será que alguém pode dar uma mãozinha aqui? Um dedinho já ajuda.
Caralho tá foda segurar tudo isso sozinha.
Ufa...

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Tô indo ali explodir e volto daqui a pouco.
Dor no peito novamente.
Não deve ser nada... não é nada não.
Mas mesmo assim tô indo ali explodir e já volto.

Puf...

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