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"Todo eu sou qualquer força que me abandona." Alberto Caiero 25 anos Publicitária Sagitariana Admiradora do mar Admiradora da lua Ama música Ama literatura Ama as artes como chegar no fundo do mar? Marés anteriores:
Onde o mar vai: A Menina no Espelho Apesar de tudo Bloco de Notas Cidade de Deus Entre Nós Haze & Friends Lullaby Meu vício desde o início Mondo Redondo On Camera Ou Isto Ou Aquilo Rafas Recanto da Lua Transmutação Universo Paralelo Walkwoman |
Domingo, Junho 29, 2003
Quando falha o coração Sexta meu coração falhou. Por segundos. Frações. Falhou e eu assutei. Como sempre nos piores momentos mantenho a calma. Mas assustei pois nunca tive nada assim. Falhou o coração e o medo ficou. Dormi mal, acordei mal. Mas superei tudo. Mesmo assim marquei exame na segunda. Claaaaaaaaro segunda!!! Andar com aparelho no coração. Beeeemmmmmmmmmmm legal. Sábado É sempre bom te rever aos sábados. Almoço com pessoas interessantes. Conversas de trabalho. Almoço com a pessoa que eu amo. Cineminha, corre daqui corre dali. Café no final da noite. Choro na estrada e a sensação horrível dentro. Já batendo forte aquela saudade. Já senti um prenúncio da dor de partir. Quero te levar comigo... vem!? Domingo Pé de cachimbo... que coisa mais besta. Amigas que sabem com certeza a verdade. Amigas de faculdade que sabiam e agora sabem mais. Acredito nestas amizades. Ficam e sempre estão. Não escoam pelo ralo de forma alguma. Amanhã é segunda e tudo pode piorar. Nada a ver com nada e tudo desconexo. Acho que andei meio desconexa é verdade. Pensando aqui e ali e onde me achar. Me ancoro num futuro promissor. Cadencio as noites e imponho um ritmo acelerado. Troco as palavras e me emociono com meus sentidos. Tento reter o choro. E os filmes me trazem revelações. Eu mantenho meu passo acelerado em direção ao horizonte. Faço pedidos e realizo promessas. Continuo amando enloquecidamente. Isso me mantém viva! Escuto todos os dias a mesma música. Permaneço num estado de exaustão contínua. Arrumo minha mesa e minha gavetas. Penso no que levar. E quero sua foto dentro de mim. Testo caminhos e palavras. Sou mais livre de pensamentos. Quero o mar e montanha ao mesmo tempo. Quero você para sempre. Noite de domingo. Ansiedade do exame de amanhã 24h monitorando o coração por um aparelhinho. Será que eles podem te descobrir dentro de mim? Leminski finaliza meu pensamento na noite de hoje: sossegue coração mensagens na garrafa: / Sexta-feira, Junho 27, 2003
Eu vim aqui de pijama para explicar. "De noite na cama eu fico pensando" A agitação toma conta das minhas noites. Quando sossego e desligo e aí tudo começa. Palavras, visões, suspiros... tudo que você possa imaginar. Tudo ao mesmo tempo e sempre no agora. E no que eu estava pensando? Numa gangorra. Num parque. Em pessoas brincando na gangorra. Quando criança é apenas um divertimento. Hoje me veio este pensamento diferente. Me imaginei brincando em uma delas. Com alguém na outra extremidade. Quando um está com os pés no chão o outro balança as pernas no ar. Quando um está com problema o outro ajuda. Quando um está flutuando o outro está segurando. Quando um dá apoio o outro se sente livre. E a sensação que dá estar no alto e abrir os braços. E a sensação que dá estar no chão e poder ser o apoio. O mais difícil desta brincadeira sempre foi manter o equilíbrio. Poderia ser combinado verbalmente ou apenas com olhares. Quando estamos brincando por algum tempo com a mesma pessoa bastam olhares. O ponto de equilíbrio. Os dois com pés fora do chão. O corpo oscila, treme, a adrenalina aumenta. O corpo tem que confiar na outra extremidade. O corpo cede e se sente livre. Os dois corpos estão flutuando numa mesma base. E você confia plenamente no outro lado. Você fecha os olhos. E você mantém este equilíbrio pelo maior tempo possível. Primeiro são segundos, depois minutos, horas, dias, meses, anos... Passa-se uma vida com esta sintonia das pontas da gangorra. Eu acredito nesta gangorra. Na necessidade da confiança. Eu acredito nas pontas que se ajudam. Eu acredito que são necessárias duas pessoas para isso. Eu acredito que existe algum tipo de fé em tudo. Eu acredito que é ainda algo puro, pois é da infância. Eu acredito que seja uma maneira de se entregar. Eu acredito de coração numa brincadeira inocente de entrega. Eu acredito que seja mais do que uma simples brincadeira de criança. Eu acredito no meu apoio. Eu acredito em quem pode me apoiar. Eu acredito que você esteja seguindo meus pensamento. Eu acredito nas palavras e no poder delas. Eu acredito em metáforas. Brincadeiras a parte. Que delícia esta infância. Com altos e baixos. Pés fora do chão. Frio na barriga. Braços abertos. Mãe olha eu consegui. Pai, pai olha também. Bate palmas. Fecha os olhos. Sente a brisa. Cheiro de grama. Escuta. Tem mais gente brincando assim também. Escuta como tem mais gente sorrindo com esta brincadeira. Escuta como é gostoso sorrir bem lá de dentro. Fica quase incontrolável... E você? Que já brincou de gangorra. Você sabe do que estou falando. Quando quero dizer sobre esta entrega... mensagens na garrafa: / Quarta-feira, Junho 25, 2003
Ops, lá se foram mais alguns dias. Nem tempo para respirar. Corre compra calça. Tira foto. Corre no banco. Pega, renova, refaz, remanda, revisa. Inscrição, pensamento, fax, telefone. Ai socorro é uma cabeça só para tudo isso. Eu tinha pensado uma boa frase hoje de tarde. Não anotei e puf. Fugiu. Mas era uma boa frase. Agora nem lembro do que se tratava. As vezes tenho medo de perder esses bons pensamentos. Sempre tive papel e caneta na mão para não deixar fugir nada. Se bem que pensando bem. Pouco tempo atrás deixei uma pessoa fugir. Acho que preciso andar com algemas e laço. Bom entre muita palavras rolando não saiu muito do que eu queria. Mais ou menos do que eu queria. Mas olha recebi proposta de casamento. Ha Ha Ha. É verdade não ri não. Mas a gente não vai casar. Ainda. Um dia quem sabe. Mas a gente chegou perto de. Não é?! Foi por mais um pouco. E de certa forma nos unimos em muitos aspectos. Laços, família, trabalho, união, anéis. Eu te tenho no meu dedo. E você ainda me tem? Semana quase acabando. Ufa quanto traablho. Em vários sentidos. Janela da alma. Passarinho voa mais alto. Chão distante. Sorriso logo cedo. Carência. Coração tranqüilo. E vai-se indo. mensagens na garrafa: / Domingo, Junho 22, 2003
Domingo. E falta pouco para terminar o feriado. Domingo. E falta pouco para terminar muita coisa. Domingo. Estou com um pouco de cólica. Algumas dores. Domingo. Dia de festa na Paulista. E eu fiquei em casa. Domingo. Não sou de multidões. Sou de uma só. Nestes últimos tempos tenho feito da escrita um consolo. O prazer de escrever tem aumentado, pois é como chego em você. Pelas palavras tenho feito o que nunca fiz antes. Exorcizo meus sentimentos e libero a imaginação. Cicatrizo feridas e sigo perdoando a mim mesma. Esclareço fantasmas e descubro novas janelas. Peço perdão e te entendo um pouco mais que ontem. Choro mais um pouco e dou boas risadas ao mesmo tempo. O que me assola agora? Ultimamente minhas emoções são extremas. Do prazer imenso à tristeza imensa. Esta noite sonhei com uma bala na minha cabeça. Sentia a bala perfurando e me jogando. Vinha de lado. Me acertava e eu caía. Pode ser a morte de alguns pensamentos. Também sonhei com roupas e mala e uma pessoa que me é tão preciosa. Sonhei doces sonhos depois que me acertaram a bala na cabeça. Algo morreu naquela bala e não sei dizer oque. Alguma aflição ou agonia. Algum fantasma escondido. E eu te tenho circulando dentro de mim. Uma coisa eu escondi de você. Esta noite sonhei que íamos embora. Não era apenas a sua mala a ser feita. A minha também estava ali. Eu sonhei que íamos embora. Eu e você. Que eu te levava comigo. Que tínhamos um compromisso. Você sorria muito. Eu estava ali. Mas eu não sei para onde íamos. Sei que estávamos de partida. Quando acordei relembrei tudo. Detalhes, cores e sons. E pensei em te pegar e te levar e falar para o mundo parar. E pensei em fazer alguma loucura na segunda. Pois segundas são sempre estranhas. Bom, o que eu fiz então? Escrevi para você. E coloquei no Mondo, pois afinal hoje é meu dia lá. Espero que você goste e que te toque de alguma maneira. Espero que esta semana eu possa te ver. A saudade rompe veias aqui e deixa marcas na pele. Vem me ver? Na quinta, na sexta. Vem me ver vem! Eu não aguento de saudade. Vem por favor... tá difícil passar os dias sem você. Vem por favor "me abraça devagar, me beija e me faz esquecer" Bom, então vai lá no Mondo Redondo. Me procura lá que eu estarei. Mas depois da meia noite só. Quando as doze badaladas tiverem sonado. Quando a princesa perde o sapatinho de cristal. Quando toda a verdade começa a surgir e a história a se complementar. Depois das doze badaladas que você vai me achar. mensagens na garrafa: / Sábado, Junho 21, 2003
Perdi completamente a noção dos dias. Pois eles não tem tido muita importância mesmo. Não sei se hoje é hoje mesmo ou se foi ontem. Ou que dia é amanhã. Amanhã sei lá também. Sei que hoje descobri que meus passaportes estão vencidos. Ah que boa notícia para um final de semana de merda. Suuuuper boa. Ok. São 59 dias para colocar tudo em ordem. 59 dias corridos. Se forem úteis é menos. Eu espero ter acionado uma contagem regressiva hoje. Hmmm tirando o feriado de merda. Tá tudo bem obrigada. Acho que vou pegar minhas coisas e sair andando. Não agora. Mais tarde. De noite. Quem sabe numa surpresa. Outra como a de quarta? Acho impossível. Algo me diz para voltar ao mesmo restaurante. Algo me diz para voltar e procurar. Nada de inspiração para escrever. Hoje estou meio morta. Pois no meu sonho de hoje tudo era bem melhor. Pois no meu sonho eu tinha uma boa surpresa. E nada puder fazer ao acordar e soltar umas lagriminhas. Deixei meu corpo arrepiar e ceder à vontade de extravasar. Logo chega a noite e me acomodo num travesseiro. Logo chega a noite e espero poder falar algo mais intenso. Logo chega a noite e vai ser a mesma merda dos outros dias. Quanto palavrão. Me desculpem. De noite quem sabe eu melhoro. Por hora fico assim. São 59 dias e 58 noites. E acho que ainda não tomei consciência disso. Nem eu nem ninguém. Pois eu largaria tudo para ir agora. Tem letras de músicas interessantes passando por mim. Tem frases de novelas e filmes dentro de mim. E por mais que eu fale continua tudo na mesma. Ah um dia passa. Eu sempre me agarro a isso. Fica sendo minha verdade absoluta. Um dia passa. Ah sim. Ia esquecendo. Tá ruim demais. Eu acho que deveria seguir uma carreira no teatro. Eu acho que deveria seguir qualquer coisa. Eu acho que vou andar de bicicleta até desmaiar. Eu acho que vou comer um Bis. Eu acho que vou mudar a música. Eu acho que queria tirar você de dentro de mim. Eu acho que me acostumei a esse não ter, tendo. Eu acho que amanhã não sai ainda. Eu acho que depois de amanhã ainda continua. Eu acho que o esquecimento é o pior sentimento. Eu acho que eu quero tomar um sorvete. Eu acho que vou procurar algum consolo. Eu acho que vou atrás de uma quarta-feira qualquer. Eu acho que nada muda o tratamento. Nada mesmo. Eu acho que estou sendo deixada para trás. Eu acho que muita coisa volta a ser merda. Eu acho que eu estou pirando de vez. Eu acho que meu lugar não é aqui. Eu acho que eu tenho que abrir mão. Eu acho que este amor é muito grande mesmo. Eu acho que não mereço muito disso. Não. Eu acho que vou ver o jogo na tv. Eu acho que vou... Daqui a 59 dias. Presta atenção! 59 dias! Entendeu? mensagens na garrafa: / Quinta-feira, Junho 19, 2003
Disseram que era véspera de feriado. Uma quarta-feira. Um quase frio. Disseram que ela estava em casa. Disseram também que ela estava cansada de ficar em casa. Disseram que ela saiu logo depois das 20h. Disseram que ela vagou até achar um bar. Disseram que a cidade quase estava fantasma. Disseram que foi assim: Saiu de casa pois estava aflita com alguma coisa. Precisava sair. Falar com qualquer pessoas. Precisava sair e não falar absolutamente nada. Então pegou seu carro pouco minutos antes do jantar. Então saiu em direção a algum bar. Qualquer um que a acolhesse. Escolheu aquele que poderia ter um balcão. Escolheu aquele que poderia conversar com o barman. Então foi naquele mesmo. Tranquila sem esperar por nada nem ninguém. Não pediu mesa. Pediu um banco no balcão. Pediu uma cerveja. Ficou olhando a decoração e a tv ligada no noticiário. Ficou esperando o barman puxar assunto. E não deu outra. Estavam entretidos falando de qualquer coisa... Palpite do banco ao lado. Outra se aproximou da conversa. Palpite certeiro e olhar fulgás. Cabelo cacheados compridos. Olhos de uva, verde e doces. Boca mais carnuda e um belo sorriso. Entrou na conversa e prosseguiu com o assunto. Os três agora eram apenas um. Um assunto. Nenhum deles se conhecia. Nem sabiam nomes. Nem importava saber. Pediu mais uma cerveja. Sentiu o banco se aproximar. Escolheu qualquer coisa para petiscar e dividiram a comida. Os três pareciam velhos amigos se reencontrando. E não falavam sobre suas vidas. Eram breves pinceladas. Ela fazia uma coisa. Ele fazia outra e era barman. Ela fazia roteiros de cinema. E nenhum deles estava preocupado com absolutamente nada. Estavam fazendo acontecer aquele momento. Sem necessidade nem prentensão. Pediu mais uma cerveja. Ofereceu um cigarro. Puxou outra conversa. E lá se foram eles por outro assunto. Música solta no ar. Mesas disponíveis e o balcão continuava sendo o lugar mais encatador. Não importava quem estava ao lado. Mas o cheiro sutil chegava arfando. Ela sentia a aproximação. Ela foi se sentindo nervosa. Ansiosa. Ela sentiu um braço próximo, e um toque de mãos. Ela sentiu que aquilo seria a coisa certa a se fazer. Seria? Ela sentiu que não precisara fazer nada. Ela esperou. Ela não teve dúvidas que viria a seu encontro. Messas disponíveis e o balcão era mais atraente. Não importava mais nada. Ela sabia que seria beijada a qualquer momento. Inevitável. E foi assim. Virou a cabeça para o lado. E no retorno sentiu os lábios próximos dos seus. Sentiu um arrepio. Olhou nos olhos. Deu a permissão. Entrelaçou a mão, segurou-se para não chorar. Não sabia se choraria de felicidade ou de tristeza. Ela quis chorar. Apenas chorar. E aquele beijo a dissipava. Eram mãos puxando-a para perto. Cabelos cacheados dentre os dedos. Eram vontades sendo realizadas. De ambas. Elas levaram a isso. Elas levaram por descompromisso. Apenas deixaram-se levar. Sem número de telefone. Sem apelido. Sem sobrenome. Sem rua. Sem casa. Quase sem trabalho. Sem nada, nadinha mesmo. Faltava pouco para a meia noite. Não ela não queria voltar. Ela deveria voltar pois estava cansada. Ela quis combinar para outro dia. Ela sabia que se voltasse nunca mais se encontrariam. E talvez fosse melhor assim. Roteiro de cinema. Agora? Ela está fora do bar. Lembrando do que foi. Agora? Ela está fora de si, pensando. Agora? Ela está andando e cantarolando. Agora? Ela não tem telefone para procurar. Agora? Ela sorriu por ter feito a coisa certa na véspera do feriado. Agora? Ela sentia aquele beijo. Ela fôra beijada delicadamente. E ela talvez nunca mais encontraria aquela dos cabelos cacheados. E ela talvez nunca mais encontraria aquela dos olhos verdes. E ela talvez nunca mais encontraria aquela do beijo. E ela não ficou preocupada com isso pois levaria apenas as lembranças. Disseram que as horas demoraram a passar. Disseram que ela não se lembrava do mundo fora do bar. Disseram que ela não queria mais nada, apenas estar ali. Disseram que ela sorriu algumas vezes, e fez piada. Disseram que ela não se preocupou com nada. Disseram que ela fôra beijada. Disseram que foi antes do beijo. Numa solidão qualquer de bar. Disseram que foi antes de ser preenchida por aquela presença. Disseram que ela cantava baixinho uma música assim: Diga a Ela - Nenhum de Nós Diga a ela que você me viu Que eu parecia muito bem Apesar de tantas noites vazias Tantas madrugadas vendo tv Na verdade, dias intermináveis Diga a ela que me viu num bar E eu estava com uns amigos Apesar de eu conhecer quem me rodeia Tantos estranhos tão perto Na verdade, longe do principal Diga a ela que me viu sozinho Diga que ela sabe onde eu estou Diga a ela que me viu sozinho Na verdade, ela sabe onde eu estou Diga a ela que me viu na rua Que eu caminhava muito devagar Que eu olhava para todos para enxergar Tanto espaço dentro de mim Na verdade, ela sabe quem eu sou mensagens na garrafa: / Quarta-feira, Junho 18, 2003
Não sabia que noites de terça poderiam ser assim. Máquina do tempo. Passado a um palmo do nariz. E eu tenho vocês aqui. Dentro de cada pulso. E eu tenho calças de lona na cabeça. E eu tenho lembranças e sorrisos. E eu tenho o que de mais precioso se pode ter. Ela continua linda e ainda cantando. Ela continua linda com os olhos verdes. Ela continua linda com as sardas no rosto. Ela continua linda com o instinto maternal. Elas são do meu passado. Que conjugo no presente. Elas são do meu passaod. Que eu conjudo. Futuro infinito. Eu? Sigo amando a cada dia. Amando mais e mais. Eu? Sigo os mesmos passos. E elas também. Depois de anos a gente vê que quase nada mudou. O sentimento é o mesmo. As pessoas as mesmas. Tudo na mesma. Alguns contratempos. E eu falei de você com orgulho. E elas que te conheceram me apoiaram. Eu contei de ontem e de hoje. Mandei beijos e abraços. Elas, as outras que ainda não te conhecem, querem te conhecer. Eu? Hoje acordei tranqüila com o mundo. Eu? Hoje que já virou amanhã e já é hoje. Vou dormir feliz. Porque hoje nos vimos. Porque hoje sentimos. Perpetuamos a cada dia algo inato. Está aqui dentro. De mim e de todas. Está aqui e ali. Carregamos estas sementes. Sabemos que três não é bom. Sempre tem o do meio. Sabemos que número par é mais interessante. Sabemos que está sempre ali. Baú que rebusca. Foto no espelho. Quarto que acolhe e a saudade que pulsa. Pois hoje reencontrei grandes amigas. AS amigas. De colégio de tempos saudosos. De tempos que não se sabia amanhã Mas queríasse o hoje com ímpeto. Pois hoje reencontrei meu começo. AS amigas dos tempos de diversão pura. De tempos que se tinha certeza da prova do dia seguinte. Pois hoje eu falo que amo mais que tudo. Tenho certeza deste meu amor. Sei onde começou. Pois hoje eu garanto que nenhuma palavra minha seria melhor que esta música. Ou este trecho. Que dedico a vocês. Que dedico de coração.
"...I hope you, I hope you got back and tell every body That this is your song (this is your song) It may be quite, quite simple, but now that's how it's done I hope you don't mind, I hope you don't mind But I wrote down in words Lord, words I'm doin' it for how wonderful it is when you're in the world, world, world..." (you song - elton john / versão billy paul) E se algum dia precisar. Ah basta discar o mesmo número. Na mesma casa das mesmas pessoas. Basta procurar aquela mesma amiga. Pois tempo tempo mano velho... Você não vence este amor que é feito de sangue genuíno. Você não vence este carinho e compreensão de grandes conquistas. Você não vence você mesmo. Tempo tempo mano velho... Esquece, pois somos assim mesmo. Você tempo tempo mano velho.... Não separa a gente se forma alguma! mensagens na garrafa: / Domingo, Junho 15, 2003
Dançar até as 6h da matina. Quanto tempo que eu não sabia o que era isso. Em boa compania. Com uma cervejinha e cigarrinho. E nem era música que eu amava. Mas o corpo pedia agito. O corpo pedia. Eu costumo atender às necessidades do meu corpo. Hmmmm nem sempre dá para atender... Dormir é bom. Domingo é bom. Noite de domingo. Hoje tem "A Outra História Americana" na tv. Esse filme é... quem puder veja. Quem já viu reveja. É uma das mais brilhantes interpretações do Edward Norton. Um neo-nazista que começa a se regenerar. Toda a história da família. Os porques. Vale conferir. É forte! Eu? Continuo na trilha do "Bagdad Cafe". Com Jevetta Steele me invadindo por todos os poros. Eu? Estava tranquila e sem pensar muito. Até Chico chegar com suas palavras e me arrebatar. Hoje Chico me mostrou como é que tenho me sentido. Acho que é assim que tem sido. Ou que vai ser. "(...)Depois de te perder Te encontro com certeza Talvez num tempo da delicadeza Onde não diremos nada Nada aconteceu Apenas seguirei Como encantado ao lado teu" Essas ligações que amor nos faz. As vezes dão sinal de ocupado. Pois amor as vezes fala com outros. Mas amor volta e nos procura. Dá sinal, dá linha. Pipa voa mais longe quando tem linha. Sinal aberto em campo verde. Na estrada não pega tão bem. Na cidade amor pulsa incontrolável. Essas ligações que amor nos faz. De manhã cedo, no sonho ainda. De noite, quando apenas acordamos. Não sei se te procuro no dia ou na noite. Não sei se te encontro no dia ou na noite. Ah, mas eu desisti de saber algumas coisas. Algumas coisas se vão, ralo do chuveiro. Lágrimas quentes. Boca rachada. Algumas coisas voltam, janela aberta, ventinho frio. Sorriso estampado. Boca sedenta. Amor está no farol. Está na neblina. Amor está no sol e na lua. Amor está na chamada em espera. Amor está na xícara de café. Amor está no bolo sobre a mesa. Amor está indo tudo bem comigo. E com você? Amor nunca vai me entender. Eu sei. Amor, deixa quieto e adormece comigo. Amanhã é segunda e nada muda isso. Talvez uma segunda em algum dia faço o sentido oposto. Talvez alguma segunda algum dia entre na contra mão. Talvez outra segunda me faça mudar para terça. Amanhã amor silencia uma espera. Amanhã amor te espreito pela fechadura. Amanhã amor te faço ser maior que meu medo. Amanhã amor te faço ser maior que minha segunda. Amanhã amor pois te preciso maior. mensagens na garrafa: / Sexta-feira, Junho 13, 2003
Você viu a lua lá fora? Cheia e radiante! Você viu? Três alos ao redor. Um branco mais próximo ao centro. Um alaranjado. Um esverdeado. Você viu? Tentei te mostrar, espero que tenha visto. Ainda continuo vendo o coelhinho na lua também. Mesmo jogando paciência eu perdi. Azar no jogo ainda quer dizer sorte no amor? Eu te guio pelas ruas da cidade. Estou ao seu lado. Te faço chegar em segurança. Eu te olho para nada acontecer. Te levo pelas marginais. Acompanho cada farol e tento fazer com que fiquem mais verdes. Não desejo farol vermelho para você. Nunca. Então eu ainda estou aqui olhando a lua. E você viu? Como a lua está bonita nesta noite. Você viu? Fala para mim que viu. Diz que sim. Você viu que te guiei o tempo todo? Diz que sim. Você viu que eu te cuido ainda? Diz que sim. Você viu que falta pouco para eu ir embora? Você viu que quero aproveitar mais? Você viu que querem tomar sorevete na Itália comigo?... Você viu? A lua está tão bonita esta noite. Eu vou lá fora esticar a rede e ler Neruda. To indo viu... Vou dormir fora esta noite. Fora de casa e fora de mim... mensagens na garrafa: / Quarta-feira, Junho 11, 2003
Vou sucumbir à data e deixo aqui um simples gesto de amor. Poderiam ser sussurros mornos dedicados. Deixo Florbela e Camões tomarem as rédeas deste sentir. Pois ninguém melhor que eles nesta noite para me levarem. E que sempre vivo se mantenha o amor!!! Florbela Espanca - Vozes Do Mar
"Quando o sol vai caindo sobre as águas Num nervoso delíquio d¿oiro intenso, Donde vem essa voz cheia de mágoas Com que falas à terra, ó mar imenso?... Tu falas de festins, e cavalgadas De cavaleiros errantes ao luar? Falas de caravelas encantadas Que dormem em teu seio a soluçar? Tens cantos d'epopeias?Tens anseios D'amarguras? Tu tens também receios, Ó mar cheio de esperança e majestade?! Donde vem essa voz,ó mar amigo?... ... Talvez a voz do Portugal antigo, Chamando por Camões numa saudade!"
Luís Vaz de Camões - Soneto 005 Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar se de contente; é um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor?" mensagens na garrafa: / Aqui se respira Lençóis azuis, dois travesseiros e uma colcha. Estava sem meias naquela noite. O frio dava uma trégua. Televisão desligada e olhos esbugalhados. Se estivesse num galho seria uma coruja. Se fosse assassina estaria esperando sua vítima. Se fosse namorada não estaria só. Desconforto instalado. Vaga lembrança da lua. O silêncio a chamava para fora daquelas paredes. Agora usava as meias brancas, precisava se sentir protegida. Pegou tudo. Inclusive o caderno que estava debaixo da pilha de livros. Levou também sua caneta preta predileta. Como quem está de partida seguiu rumo à porta da varanda. Escolheu um lugar próximo à porta. O chão seco e um tanto frio era seu destino. Recostou na parede bege quase suja. Esticou as pernas, se cobriu e quando se sentiu pronta trouxe para perto as palavras. Acendeu um cigarro, cor vermelha na noite, belo contraste com o azul escuro do céu. Puxou o cinzeiro e alguns sonhos. A luz que permeava e a ajudava a escrever vinha da porta semi aberta. Não precisava mais do que meia luz. Atrás daquela porta ficava seu pequeno mundo. Ela queria estar mais distante naquela noite. Ela queria uma estrela e as palavras que a faziam flutuar pelo mar. Esqueceu o boa noite e mergulhou no dia seguinte. Pulou para o final de semana e logo se passaram meses. Não teve a mínima noção do tempo, e nem fazia questão. O tempo não lhe interessava. Nada marcado para acontecer e nenhum compromisso. Apenas uma caneta preta velha, um caderno surrado velho e umas idéias jogadas aqui e ali. Passou. Já era hora de voltar. A festa no hotel terminara. Assim como o último cigarro do primeiro maço. Sim era hora de voltar. Juntar tudo e partir - retornar. Já quase amanhecia. Já era quase. Era sempre agora. mensagens na garrafa: / Terça-feira, Junho 10, 2003
Digamos que duas coisas andam na minha cabeça. Não são piolhos não. Reformulando. Todos merecemos uma segunda chance, terceira, quarta.... Digamos que duas coisas andam na minha mente. (melhorou) Para uma delas eu digo: "Eu vou conseguir" Para outra eu digo: "Eu vou conseguir" São suas coisas distintas. Com-ple-ta-mente. Olha só ainda sei separar palavras. Para a primeira eu digo que vai doer. Mas é melhor assim. Para a segunda eu digo que vai doer. Mas também é melhor assim. Nas duas eu digo que tento e vou conseguir. Nas duas há um pouco de dor. Ahhhhh depois passa. Sempre passa não é?! Nas duas eu deixo algo, alguém, alguma coisa, seja lá o que for. Tá, retocar o Lima Duarte tá me fazendo mal.....rs... Que bom que o "bom" humor negro reapareceu. mensagens na garrafa: / Domingo, Junho 08, 2003
Digamos que os ventos estão com nova direção. Não é ninguém novo no mar. Não está relacionado com o coração. Apenas está acontecendo de mudar. Agora começou. Nova pele, novo olhar. Nova câmera. Novo mundo. Começou a romper um casulo. Está na hora de sair. Tem vento soprando em nova direção. Ave migratória que pega o sentido e vai. Pela natureza que a chama para outro lugar. Cruza o oceano. Terra nova. De filme antigo. Terra de valores e cultura diversa. Terra fértil, solo firme. Mas nem tanto. Língua que fala o mesmo som. Língua que mostra o mesmo tom. Língua que te aprendo por querer estar mais presente. Passo de cigarra em noite de quase chuva. Um elefante que se banha no Tigre. Pássaro marrom sobrevoando algum ninho estranho. Formiga atrás de doce. Na casa quente. Casa nova. Oportunidade de escrever um livro na distância. Oportunidade de vida nova na distância. Oportunidades que eu ansiava há tempos. Agora é a hora. São dois meses e meio. Mais ou menos. E a hora é agora. Deserto que se abre em fração de segundos. Sentimentos que voam através de um tapete. Um apartamento pequeno. Uma banheira. Um sofá aconchegante com uma tv na frente. Altura, jardins, um parque e uma praça perto. Você sabe bem o que eu digo. Escrevo mais hoje que ontem. Deixo várias linhas em branco. Eu poderia aproveitar mais. Mas deixaria de escrever desta minha maneira. O que diferencia? O modo pelo qual fazemos a mesma coisa. Deixo o ritmo e a letra entrarem na antiga casa. Acalmo os sentidos participando o que vivencio. Me encaixo na cadeira. Estico os braços. Você está a um palmo do meu nariz. Me encaixo na cadeira. Estico os dedos. Construo meu pequeno mundo literário. Faço um passo, meço o outro. Cadencio o ritmo. Minhas vindas não são necessárias todos os dias. Minha presença está sim todos os dias. A qualquer momento você me encontra. Onde quer que seja. Ainda não é hora de despedidas. Nem nunca vai ser hora. Quem vai uma hora volta. O retorno garantido numa palavra. Ainda não é hora de ir embora... Embora a música já diga o que será... Jevetta Steele - Calling You A desert road from vegas to nowhere some place better than where you've been a coffee machine that needs some fixing in a little café just around the bend i am calling you can't you hear me i am calling you a hot dry wind blows right thru me the baby's crying and can't sleep but we both know a change is coming coming closer sweet release i am calling you i know you hear me i am calling you oh
Só fica assim. Me dá um abraço e fica por perto? Me deixa segura do que estou fazendo. Por mais distante. Me segura. Me abraça. Por mais distante. Fica presente. Por mais distante. É fechar os olhos. Por mais distante. É um abraço por trás. Daqueles de surpresa. Com vontade e saudade. mensagens na garrafa: / Sexta-feira, Junho 06, 2003
Ontem Zélia Duncan me encantou como nunca. E cantou como nunca. E eu mal tirei os olhos daquela mulher. Uma Zélia suficiente para preencher lacunas dentro de mim. Uma Zélia tranquila e serena. Um show maravilhoso. Um show dentro da minha pele. Uma voz ecoando pela platéia. Uma voz que nunca se esquece... Hoje eu recomeço. Vida nova. Atitudes novas. A viagem que se aproxima. As estrelas que estão mais perto. Minha mão que pode alcançar mais. E a sua presença que é tão boa para mim. E um chaveiro para o " Mar" . E eu te agradeço pela lembrança. Manhã no trabalho. Tarde no trabalho. Noite?! Nem sei. Jantar, conversa, e só... e isso que me basta. Eu vou agora. O final se aproxima. Final e final de semana. Porque muito já acabou mesmo. E a gente sabe. Porque a voz mudou. O tom mudou. O toque mudou. E a gente sempre vai estar por perto não é?! Me Revelar - Zélia Duncan Tudo aqui quer me revelar Minha letra , minha roupa, meu paladar O que eu não digo, o que eu afirmo Onde eu gosto de ficar Quando amanheço, quando me esqueço Quando morro de medo do mar Tudo aqui Quer me revelar Unhas roídas Ausências, visitas Cores na sala de estar O que eu procuro O que eu rejeito O que eu nunca vou recusar Tudo em mim quer me revelar Tudo em mim quer me revelar Meu grito, meu beijo Meu jeito de desejar O que me preocupa, o que me ajuda O que eu escolho pra amar Quando amanheço, quando me esqueço mensagens na garrafa: / Quarta-feira, Junho 04, 2003
Eu poderia escrever os versos mais tristes esta noite. É, acho que é uma boa idéia. Cai bem, feito luva. Além de escrever eu vou sentir cada verso. Como se fossem o último e o primeiro. O do meio, o caçula e o mais velho. Eu vou reaprender com os versos mais tristes esta noite. Alguém mais viu "Surpresas do Coração"? Se viu e se gostou vai se lembrar da cena do trem. Na qual ele fala para ela sobre o amor perdido. E ele fala que num dia o cheiro some, no outro o toque, num outro dia se vai beijo, e assim por diante. E isso tudo demora um tempo, um bom tempo. Aí depois um dias você se esforça para lembrar a cor dos olhos. No outro dia não se lembra direito como era o sorriso. E depois parece que tudo vai sumindo. Assim como foi chegando. E logo a gente se esquece. Será mesmo que esquece? You have deep eyes. I loved to look your eyes. Eu tive um surpresa para o meu coração hoje. Que surpresa mais desagradável que foi. Pois conjuga-se assim mesmo. Foi. Falta ar aqui hoje e a escrita sai pausada. Eu nunca gritei de tanto chorar. Hoje foi a primeira vez. Eu nunca chorei tanto de dar dor de cabeça na hora. Hoje também foi. As meninas sumiram no corredor. O girassol acompanhou o astro pela sua jornada. Eu acompanho pelos jornais e revistas. As vezes eu assisto televisão. Eu prefiro documentários. As vezes eu deito e não acho a cama. As vezes eu simplesmente vou embora. Eu estava na mão. Feito passarinho machucado. Caído do ninho. Eu apenas estava completamente entregue, nas mãos. Eu reaprendi a voar. Quando? Agora. Nesta noite. Neste momento. Eu vou me esborrachar em várias árvores. Eu vou bater no chão. Eu não vou saber qual corrente pegar. Eu não vou saber quais ruas são as melhores. Eu vou ficar completamente perdida. Eu vou sim. Mas até achar outras aves que me ensinem outro caminho. Terceira pessoa do singular. Feminino. Ela. Primeira pessoa do singular. Feminino. Eu. E a gente não conjuga mais nada em comum. Apartir de hoje os verbos são impessoais. Conjuga-se assim. Conjugando-se. Agora é sem sem-juga-se. Sem-jugando-se. Sem pessoa nem ação. Folhas mortas. Cortina fechada. Salão vazio. Sem duetos. Acabou o gás para o mais simples refrão. (tive a ajuda de um samba aqui) Ah sim eu corri aqui. Para a tela em branco. Porque quem eu a procurar? Porque por mim seu telefone ainda estaria tocando. Porque você ainda teria ecoando minhas palavras. Porque eu estaria ficando cada vez pior para depois levantar. Porque PUTA QUE PARIU como eu GOSTO DE VOCÊ. E porque PUTA QUE PARIU porque raios que é proibido? Ai que merda esta dor aqui dentro de mim. Ai que merda que estragou a flor que eu tinha deixado no jardim. Ai que merda que fechou o restaurante. E a música acabou. Ai que merda que o garçom fechou a porta e eu ia entrar sozinha. É eu ia sozinha no final das contas. E no fundo eu sabia. Mas a gente já sabia que eu ia embora mesmo né? Agosto? Setembro? Outubro? Amanhã? Semana que vem? Eu estou indo embora já. E não vá me falar que eu te deixei. Não, não aceito isso. Não estou deixando ninguém. Quem abriu os braços e deixou de me abraçar foi você. Desta vez os seus braços não me seguraram. Sabe?! Você é linda. Você é mágica. Sabe?! Você é especial. Você é musical. E que pena que você não é pra mim. Quem me dera fosse fosse minha...
...continua... mensagens na garrafa: / Segunda-feira, Junho 02, 2003
Não é birra minha odiar tanto as segundas. Há três anos, ou seja, ano 2000. Nesta mesma primeira segunda do mês de junho. Morria a minha avó. Era uma segunda. E eu já odiava segundas. E passei a odiar mais. Hoje é segunda. Minha tia morreu hoje. Primeira segunda do mês de junho. Mas as datas são diferentes. Hoje é dia 02. Naquele ano de 2000 era dia 05. Nesta quinta completa três anos. E eu ainda tenho a minha nonna aqui comigo. Na foto do mural e na gaveta. Dentro de mim e nos meus atos. E eu tenho falado muito mais em italiano. E eu tenho fé que este ano eu vou lá. E eu quero conhecer onde foi que ela nasceu. Minha tia foi embora. Na verdade ela era tia avó. Minha família é meio complicada. Lá pelas tantas teve casamento entre primos. Então eu nunca sei quem é quem. Mas sei que é família e isso me basta para sentir. E chorar e ficar assim... meio apagada. Agora de noite eu ri. Meu pai consegue me fazer rir. Ele me contando que meu primo (que na verdade não é primo, deve se tio ou algo assim). Meu primo, antes de fechar o caixão, joga dentro um maço de cigarro. É minha tia fumava. É e meu primo solta a frase: "Assim ela vai fumando no caminho." E eu achei isso simplesmente o máximo. Ele fez com que o caminho dela tivesse o que ela gostava. Ele fez um pequeno gesto no meio de toda aquela gente. Ele fez um caminho melhor para ela. Porque ele sabe que ela sempre vai estar por ali. Com o cigarrinho na mão e aquele jeitão de matrona. E eu? Sei que o natal deste ano já vai estar diferente. Sem aquela mulher que parecia a mulher do mafioso mor. Sem aquela que ficava ali do meu lado conversando e contando do passado. Sem ela, sem a minha avó também. Sem algumas coisas. Mas com elas sempre consco de alguma forma. Porque de um jeito ou de outro elas sempre ficam. E eu? Continuo ODIANDO as segundas... mensagens na garrafa: / Domingo, Junho 01, 2003
Meu sonho está roubado na revista semanal. Foi o maior desgosto que eu tive. Folhear e ver que sonharam meu sonho. Me tiraram o dia seguinte e a viagem. E tudo que eu quis foi... Foi tão triste ver aquele sonho estampado. E aquele sonho que era minha salvação. Eu tirava 10 em matemática na escola. Eu ia muito mal em português e história. Eu fiquei muito mais na área de humanas depois. Por causa de um professor do cursinho. Ele e outra professora mudaram o rumo de tudo. Isso que preciso agora. Mudar o rumo de tudo. Tirar esse vazio de dentro de mim. Dessa vez eu digo chega!!! Dessa vez eu vou embora. Dessa vez eu não paro de chorar de vontade de partir. Hoje chega de noite. Amanhã vai acordar outra. Hoje chega mais tarde. Amanhã vai começar. Vamos ao ponto de partir. Vamos ao ponto de partida. Dessa vez eu digo chega!!! Dessa vez eu vou embora. Vou embora para Passárgada pois lá sou amigo do rei. Uma casa longe eu tenho. Família longe eu tenho. Quem pode cuidar de mim longe eu tenho. Eu apenas preciso de verbos e sujeitos. Conjuntos adnominais e adverbiais. Predicativos e pronomes. Alguns verbos intransitivos. Eu não quero complemento. Alguns verbos imperativos. Eu amo minha língua. Eu amo meu país. Mas está na hora de mostrar para os outros o quanto eu gosto. Eu vou na sacada fumar e vejo avião passando. Eu vou no trabalho e vejo avião passando. Me vejo dentro. Naquela janelinha. Deixando para trás... Um sabiá para no chão, me olha. Canta alguma coisa. Alça vôo. E me leva junto. Taxi branco estacionado na rua. Partida pronta. A rede que eu monto no jardim. O livro que levo embaixo do braço. O sol que esquenta a tarde e me faz relaxar. Sangue quente, rosto morno. Vidro que me fazem sorrir. Páginas quaisquer, palavras soltas. Enquanto isso Cássia canta: "...O beijo do soldado em sua namorada. Seja para onde for..." O portão aberto. E a vida lá fora... mensagens na garrafa: / |