"Todo eu sou qualquer força que me abandona."
Alberto Caiero


Sobre o mar:
25 anos
Publicitária
Sagitariana
Admiradora do mar
Admiradora da lua
Ama música
Ama literatura
Ama as artes

como chegar no fundo do mar? Como está o mar hoje: Meu humor atual - i*Eu!

Ando escutando:

Chico Buarque
Emerson Nogueira
Indigo Girls
Michelle Malone
Vonda Shepard



Na lista de leitura:

A Arte da Guerra

O homem duplicado

Fragmentos de um Discurso Amoroso

Não se pode ser feliz e amar ao mesmo tempo

Onde o mar vai:

A Menina no Espelho
Apesar de tudo
Bloco de Notas
Cidade de Deus
Entre Nós
Haze
Lullaby
Meu vício desde o início
Mondo Redondo
On Camera
Ou Isto Ou Aquilo
Rafas
Recanto da Lua
Rosa Menina
Vá!
Vamos?
Walkwoman




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Quarta-feira, Maio 28, 2003

Um esclarecimento. O urso é meu desafio.
Um dia, num polo, no frio. Uma hibernação.



Despertador tocando. E quem dera ela pudesse despertar desta dor.
Despertador tocando para mais um dia. Nada desta dor despertar.
Levanta no frio. Toma banho no quente. Deixa o choro no chuveiro.
Roupão úmido. Chão quase congelando. Pés descalços procuram os chinelos.
No quarto tudo escuro e silencioso. A vida está morta naquele cômodo.
Escolhas. Começa o dia com escolhas. Uma peça. Duas peças. Três peças.
Na parte superior? Abre o armário. Um pânico percorre seu corpo.
Até as roupas estão sem cor. Até as roupas a desanimam.
Até as míseras roupas do armário a cansaram.

Tira uma, coloca outra. Olha mais uma. Escolhe a mais colorida.
Justo aquela que ela queria. A mais colorida. E naquele dia.
Naquele mais um dia. A roupa mais colorida. Não era para ela.
A roupa mais colorida. Fiocu sem graça. Ficou meio assim, sabe?
Com cara de qualquer coisa. Com roupa de qualquer jeito.
Assim ela foi trabalhar. Como sendo apenas mais uma.
Justo naquele dia. Ela queria ter feito diferente.

O aborrecimento não é de hoje. A insatisfação tabém.
A vida anda a duas cores para ela. A vida tem andado lentamente.
Tem horas que o tempo parece voltar. Ao menos na cabeça dela.
Ela tem vontade de voltar no tempo. E tentar de outras formas.
Ela tem vontade de acelerar o tempo. Ela anseia tanto.
Ela quer ir longe. Ela não sabe falar. Ela chega e chora. E mais nada.
Ela desanda no meio fio e reluta ao atravessar a rua.
Ela procura um novo calçado. Quem sabe com outros pés?!

No trabalho a mesmice. No trabalho novo uma nova angústia de não pertencer.
No novo trabalho uma batalha interna travada a cada imagem feita.
Nas pessoas novas, experiências antigas.
Dentro ela sabe que nada aquilo está certo.
E ela não pode apenas não ir no dia seguinte.
E ela ainda não tem escolhas a não ser continuar neste caminho.
Na volta do trabalho a mesmice. Na calçada se anda mal.
Ela olha as ruas com estranheza. Seu olhar não está mais lá.
Ela caminha a passos tortos pela calçada esburacada.
Ela estremece com a rajada de vento. E continua com a vida a duas cores.

Chave na porta verde. Deixa o mundo para fora daquele muro.
Entra em outro mundo. E tudo continua igual. Nada faz a diferença.
Sozinha dentro de casa. Ela relembra a discussão do dia anterior.
Ela sente que poderia ter ao menos trocado olhares.
Ela sabe que se tivesse trocado olhares ela não aguentaria.
Então fez o certo. "Des-olhou" e seguiu escada. Rumo ao carro.
Mas isso foi antes. Antes do dia de hoje. Que até o armário lhe pareceu insensato.

E agora? Ela ainda espera uma conversa interessada nos seus dias.
Não há com quem. Não há onde. Nem como. Paredes mais fechadas.
Não há divisão. Dá sua mão e me entrega sua vida. Abra ouvidos.
Feche os olhos e seus sentidos. Abnegue suas vontades.

Ela quer Neruda e seus versos tristes esta noite.
Ou...

Escuta, escuta...
Shhhh está ouvindo?
Escuta...
Ouviu? Você conseguiu ouvir?
Ela está tentando dizer...
Ela agora já adormeceu...



Segunda-feira, Maio 26, 2003

Nada a declarar. A não ser ausência.
Nada a declarar. A não ser tudo entalado aqui.
Nada a declarar. Neste momento.

Hoje estou no Mondo Redondo.



Domingo, Maio 25, 2003

Alguém aqui falou em ausência?
Alguém aqui falou em loucura?
Alguém aqui falou em telefone?
Alguém aqui falou alguma coisa?

Eu ouvi um fado muito bonito que tinha uma frase assim:
"Eu trago num braço a tristeza, e no outro a saudade"
Eu ouvi outro fado que era uma história do Saramago.
Que dizia assim: "A mentira está na pergunta"
Acho que é melhor eu não escutar mais nenhum fado.
O fado triste, melancólico...
Se bem que vou treinando para quando for a Portugal.
Uma taverna, taças de absinto, folhas em branco...

Europa e a vontade de fugir e me encontrar.
Porque no fundo eu sei que preciso ir.
Eu preciso deixar e preciso enfrentar.
Eu preciso cair e levantar e enxergar e conhecer mais.
Estou fazendo mais a cada dia. Construindo minha ponte.

Hoje eu fiquei parada no tempo. Até chegar a noite.
Hoje eu fiquei estática, mimetizada à sala.
Querendo ser apenas uma lenha na fogueira.
Chega uma voz sussurrando ao meu ouvido.
Trazendo uma letra "nunca d'antes navegada".
Trazendo lembranças e querendo novas lembranças.
Querendo acumular e plantar. Regar e admirar.
A cidade? Indefinida.
As sensações? Todas possíveis.

Berlim - Cidade Negra

Ainda sorri pelo canto
Ainda sorri pelo canto

E você ri sem saber que aqui eu fico chorando

Aquela semana em Berlim
Aquela cidade é celestial, é celestial
Toda aquela semana em Berlim
E Berlim não viu o nosso amor

A saudade se intensifica
Tudo lembra o nosso amor por aqui
Tenho visto muitas maravilhas
Mas não brilham sem tua presença

As nuvens do céu de Berlim
Escrevem teu nome
Quando o vento passa por elas
Eu continuo rodando
Procurando encontrar coisas que me façam
Lembrar mais de você, aqui em Berlim

Ainda sorri pelo canto
Ainda sorri pelo canto

E você ri sem saber que aqui eu fico chorando

Não adiantava ler bons livros com histórias românticas
Não adiantava ver bons filmes, nos cinemas de Berlim


Que seja assim. Em Berlim, em Verona, no Tejo, em Barcelona.
Que seja assim. Em Praga, em Amsterdã, em Paris, em Estocolmo.
As cidades repetem as histórias de amor.


(túmulo da Giulietta - Verona)


Quinta-feira, Maio 22, 2003

Coisas da Vida - Rita Lee

Quando a lua apareceu ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde, mas a noite é uma criança distraída

Depois que eu envelhecer ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humana nessas horas de partida

É o fim da picada, depois da estrada começa uma grande avenida
No fim da avenida, existe uma chance, uma sorte, uma nova saída
Qual é a moral, qual vai ser o final dessa história

Eu não tenho nada prá dizer, por isso digo
Eu não tenho muito que perder, por isso jogo
Eu não tenho hora prá morrer, por isso sonho

Ah, são coisas da vida
Ah, e a gente se olha e não sabe se vai ou se fica
Ah, são coisas da vida


Hoje eu vim de música. Que martelou na minha cabeça o dia todo.
Na verdade Rita Lee não martela. Ela fala comigo.
Ela falou comigo o dia todo. A Rita Lee. Ela me falou de tudo.
Depois Caetano chegou junto com Marisa.
E eu quiz correr daquele lugar fechado e dos flashes e dos mouses.
E eu quis estar tão longe de onde estava...

Eu tenho duas coisas entaladas aqui.
Eu as deixo como sardinhas. Que fiquem enlatadas.
Mas ahhhh como eu queria dizer a diferença que existe.
Mas ahhhh como eu queria que fosse visto isso.
Mas ahhhh como eu me calo ainda...

Procurei e achei a poesia. Está aqui. E não sei porque me lembrei hoje.
Mas está escrito há tempos. Guardado entre meus arquivos.
É de minha autoria. Vale para ontem e hoje.
Então vamos de música e poesia.
Porque é o que sei fazer melhor. Poetar e ouvir.

Quase sem querer
Me peguei pensando em você
E aquela música...
...tocava tão baixo

Eu podia ouvir meu coração bater
Podia ouvir minha pele respirar
Mas não te ouvia!

Eu podia me ver no espelho
Podia ver meu olhar fundo
Mas não te via!

Me baseava em momentos
Poucos momentos
Mas em minhas mãos posso sentir
...sinto seu corpo
Mas no meu olhar posso ver
...vejo seu reflexo

Doce e sutil retrato
Levemente apagado
Infantil tentação de lhe esconder
Há uma terra tão esquecida
...perto de mim
E que não me pertence.

...Flá...



Terça-feira, Maio 20, 2003

Eu não dormi direito. Eu não acordei direito.
Eu não trabalhei direito. Eu não andei direito.
Eu não comi direito. Eu não fiz nada direito.
Mas isso foi hoje. Que daqui a meia hora vira ontem.
E aí já terá passado. Ufa.

Mesma música o dia todo. Mesma melancolia.
Simples mesmo se fosse apenas uma tpm.
Mas potencializa tudo. Então divido por dois.
Tão mais fácil seria... ah esquece...



Eu queria mesmo falar que o mar tem pedras.
Que muitas vezes dificultam a chegada na praia.
Pedras pedrinhas pedregulhos pedronas... bla bla bla.
(veja que até para escrever eu não estou hoje)
Mas são pedras que podem ser transpostas.
Mas são pedras que podem ajudar num castelo de areia.
Mas são pedras que formam fortalezas e pirâmides.
Também são pedras atiradas. Pedras machucam.
Também formam caminhos. Também constroem.
Também tanta coisa... bla bla bla
(veja que continuo indisposta)

Mas existem essas pedras.
Que mudam nosso olhar. Que rotacionam.
Mas são apenas pedras.

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina (Outubro, 1981)



Segunda-feira, Maio 19, 2003

Venho rápido, pois rápidos são os dias.
Nem consigo ver o tempo passando.
Consigo ver o que me interessa indo.
Consigo perceber algumas coisas.
Inclusive a decisão de ir ou ficar.
Inclusive que pode ter alguma troca.
Inclusive que logo tudo muda.

A música? É uma mistura.
Do que acontece agora e hoje.
Um pouco do que sinto e do que sou sentida.
Pelas minhas mãos. Pelas palavras que faltam.
Pelos medos. Pelas coragens. Pelas noites na estrada.
Pelas idas e vindas. Pelo amor.
Por tudo que temos...
Pela mistura e pela cumplicidade que temos.

Se as minhas mãos estavam bonitas?
Elas poderiam estar muito mais.
Nos equívocos achamos algumas soluções.
Nos desencontros e nos reencontros.
E amanhã? Eu não tenho a menor idéia.
Não temo o amanhã, apenas sento e espero.
E olho fixamente para o que está por vir.



The Weakness In Me - Joan Armatrading

I'm not the sort of person
Who falls
In and quickly out of love
But to you I gave my affection
Right from the start

I have a lover
Who loves me
How could I break such a heart
Yet still you get my attention

Why do you come here
When you know I've got trouble enough
Why do you call me
When you know I can't answer the phone

Make me lie
When I don't want to
And make someone else
Some kind of an unknowing fool
You make me stay
When I should not
Are you so strong
Or is all the weakness in me

Why do you come here
And pretend to be just passing by
When I mean to see you
And I mean to hold you
Tightly

Feeling guilty
Worried
Waking from tormented sleep
This old love has me bound
But the new love cuts deep

If I choose now
I'll lose out
One of you has to fall
And I need you
And you


PS: eu tinha toda razão do mundo para ter medo.
eu tinha sim. e isso se confirmou... esses sentidos apurados...


Domingo, Maio 18, 2003

Sim eu sobrevivi. E ainda carrego a gripe.
Ela não me derrubou. Ela é psicológica.
Ela é emocional. Ela é durona. Ela tentou me derrubar.
Ela não veio de fininho. Chegou e entrou de vez.
Ela não quer sair de mim. Ela não me deixa.
É da gripe que estou falando...
Mas poderia ser outra coisa...

Um casamento depois e dias de gripe cá estou novamente.
Mal tive tempo de respirar. Se eu tentasse não conseguiria mesmo.
Um casamento perfeito. Da família linda. Das pessoas chiques.
Tudo certo. Meu cabelo agora tem luzes... ha ha ha.
Eu não estava eu no casamento. Por que eu não me produzo muito.
Mas para a festa tinha que produzir.
Mas eu estava bonita...rs.. estava sim pode acreditar.
Sorri muito. Me emocionei na igreja. Essas coisas bem sentimentais.
Eu quase chorei... quase mesmo. Por que senti que era quase família.
E foi lindo, muito lindo mesmo. Festa, noiva, noivo...

Hoje é dia de ficar em casa. Hoje ela volta de viagem.
Hoje eu estou com tanto medo. Mas tanto. Que queria me perder.
Hoje eu acordei com medo. Medo de conversar. Medo de encontrar.
Medo pura e simplesmente medo.

O ser ausente se faz necessário para que possamos sentir.
Sentir aquilo que não nos é permitido quando estamos perto.
O ser ausente no caso é ela. Mas ela pediu que eu esperasse.
Eu esperei, ou ainda espero. Não sei ao certo.
Eu esperei e senti que algo mudou. Eu? Ela? Não sei.
Ando na fase meio não sei, acho que sei, meio sei lá...

Hoje meu pai chegou de viagem. Hoje teve muita conversa no almoço.
Hoje lembramos do casamento em Verona. Lembramos do fotógrafo.
Hoje veio uma frase estranha. Hoje veio um convite.
"Mas porque você não vai para Verona estagiar com ele?
Vai sim, podemos providenciar isso. 6 meses você fica lá.
Depois volta e mãos à obra. 6 meses tá bom"

Eu? 6 meses em Verona? Fazendo curso? E fazendo o que eu queria fazer?
Eu? Você está falando comigo mesmo? É de verdade? Tá falando sério?
Eu? Meu sonho? Ficar um tempo fora? Aprender e estudar fora?
É comigo mesmo?

Isso no almoço.
E agora minha cabeça entrou em parafusos...


Quarta-feira, Maio 14, 2003



20 minutos. É mais ou menos isso que eu calculo.
20 minutos que fiquei no mundo da lua.
20 minutos que tive para construir uma história.
20 minutos para me apaixonar pelos personagens.
20 minutos para rir e chorar com eles.
E não é que uma lágrima caiu mesmo?
No meio do trabalho. Do nada. Puf... caiu.

A gripe parece tomar conta do meu corpo.
Uma sensação estranha no nariz.
Parece que vai explodir. Parece que entorpece.
Peço arrego por causa das dores que começam.
Mal começa o mal estar e eu quero melhorar.
Mal começa a doença e eu fico sem paciência.
Tem coisas que mal começam e eu antecipo tudo...

Mas voltando. Ponto de partida. De tarde, no trabalho.
Eu sozinha na sala. Um silêncio total.
O olhar que roda as paredes, se fica num ponto.
O olhar que me leva para uma casa, uma colina, um jardim.
Algumas flores, uns latidos ao longe. Um cheiro de mar.
Algo famaliar naquilo tudo. Algo que me sugou por completo.
Eu sentia o ar vibrando na minha pele. Sentia cheiros e mais cheiros...
Aquela sensação de um ser completo.
Chuva recente ou jardim recém regado.
Céu se abrindo e formando um caleidoscópio.
Horizonte aberto e aterrador.

A sensação da espera. O regador jogado de lado.
Algo errado naquela cena perfeita.
Algumas flores caídas no chão.
Sons se aproximando. Vozes cada vez mais audíveis.
Cheiro de peixe. Uma sacola jogada na porta da casa.
Um chinelo solto na entrada.

Pescadores. Eram todos pescadores.
Correndo em sua direção. Gritando. Acenando.
Ela soube. O desespero. O chamado. Tudo enfim.
As coisas soltas no jardim tão bem cuidado.
As coisas... laragadas para trás.
As coisas... Ela correu sem parar para o mar.
Ela correu como nunca. Tropeçou. Ralou o joelho.
Sangrava na alma. Sangrava pelos poros machucados.
Ela não respirou. Ao menos foi esta a sensação.
Lhe tiraram o respiro. Lhe tiraram a vida.

Lhe tiraram o barco.
Seu barco que ia para alto mar.
Seu barco que a levaria para longe.
Aquele barquinho simples...
Aquele barquinho que seria a salvação...
Aquele barquinho que agora estava todo arrebentado nas rochas.
Aquele barco que todos sabiam que seria sua redenção.
E ela chorou. Como criança, como adulta e como idosa.
Chorou o choro de todos os anos que foram e que viriam.
Chorou o choro mais sentido das noites e dos dias.
Sentiu o corpo aberto em chagas.
Sentiu seus membros como aquelas madeiras espalhadas pelo mar.

Ela sentou na areia recém molhada.
Ela naquele momento desistiu.
Ela não viu mais nada ao seu redor que a fizesse continuar.
Ela entregou. Ela não queria mais nada.
Ela queria pular tudo. Ela não queria mais acreditar.
Ela desistiu.. ali, com a roupa molhada e salgada.

E quando eu retornei depois desses 20 minutos eu me vi assim.
Sentada naquela cadeira vermelha. Sozinha. Sem barco nem direção.
Sem sons, sem movimentos, sem pessoas, sem absolutamente nada.
Sem olhos secos, sem dor, sem angústia, sem nada.
Foi o pior (não) sentir que eu poderia ter passado.
Ao mesmo tempo que foram 20 minutos bem longe.
Mas tão longe. Tão longe. Que eu fui muito feliz.
Foram 20 minutos intensos e atravessaados na minha tarde.
Foram apenas 20 minutos... Eu não aguentaria mais que isso.




Terça-feira, Maio 13, 2003

Antes que nada de mal aconteça.
Antes que eu perca a cabeça.
Antes eu estou dizendo... bem antes.
Que eu vou virar yogurte.
E antes fosse daqueles de morango bem gostosos.

Olhei meus olhos no espelho agora.
Não sei ao certo se gostei do que vi.
Brinquei de diminuir a luz.
As pupilas se mexem. Sozinhas.
Eu tenho ido para todos os lados sozinha.
Eu tenho me mexido por reflexo.

Talvez a antecipação da falta me faça ver mais.
Talvez a antecipação da falta me machuque.
E me faça pensar formas de machucar.
Mas o que penso não machuca. Pois é querer.
Ah se eu pudesse querer um querer mais simples.
De fato seria querer. Só que mais simples.
Menos complicado = Mais simples = Não sou eu

Li sobre suspiros. Li sobre revistas. Li sobre quadros.
Procurei alguma saída nas artes. Procurei portas.
Olhei janelas e revirei gavetas.
A lua está linda lá fora. Com um brilho sem igual.
A lua é encoberta pela nuvem. A lua tem seu brilho.
A lua agora não está brilhando.
Dentro de mim a lua ainda brilha sim.

Por falar em lua eu vou deitar.
Parece que uma gripe se aproxima.
Por falar em lua, lembrei do sol e do mar.
Vou ali no banco sentar e esperar...
Quem sabe daqui a pouco já passou...



PS: O post de hoje no Mondo me emocionou. Me fez chorar e rir ao mesmo tempo... muito choro e muito riso.



Domingo, Maio 11, 2003

Ontem eu fugi. Daqui e de lá.
Das pessoas. Do meu quarto. Da minha casa.
Eu fui longe. Peguei o carro e fui.
Destino certo. Casa das pessoas certas.
Sentido certo na estrada. Noite alta.
Peguei minha coisas e fui. Sem saber. Eu fui.

Queijo e vinho. Vela no centro da mesa.
Muito riso. Muitas histórias.
Muita bebida. Se chora de tanto rir.
Conta mais história.
E apenas a presença bastava.
Apenas. Para mim. Aquilo estava certo.
Mas o olhar fugia. Nos relances. Nos pensamentos.
Mas o tato chegava próximo e retomava o rumo.

O que antes eu ouvia como lamento hoje é apenas eco.
Antes eu temia algumas coisas que hoje enfrento.
Medos meus. Muitos medos que fui perdendo.
Hoje eu mudei os medos. Hoje eu mudei as vontades.
E onde antes eu achava o medo. Hoje sinto distância.
E onde antes eu achava a certeza. Hoje sinto distância.
E onde eu achava... hoje parece que a maré está levando.

Quando eu busco as palavras. Eu abro o dicionário.
Algumas palavras não estavam mais para mim.
Ontem palavras sumiram. Hoje palavras apareceram.
Ontem que já tinha virado hoje.
Quando eu cheguei. Na cidade. Para a cidade.
Quando eu cheguei, eu deixei algo para trás.
Eu não sei se tenho me deixado novamente.
Eu não sei se tem sido uma descoberta de mim mesma.
Eu não sei se ela está me perdendo de propósito.

Cheiro estranho no ar. Cheiro de alerta. De fumaça.
A verdade é que tudo o que penso agora não vem para o papel.
A verdade é que se falo tudo realmente... machuca.
Pode machucar e pode não ser.
Me dou ao luxo do segundo pensamento sobre o assunto.
Me proponho um trato, um pacto de sangue.
Me proponho vários pensamentos antes de decisões.
Me proponho ainda a dar chances que antes não dei.

Alguém me passa um banquinho para eu poder esperar?
Senão eu canso demais.
Mas também posso sentar no chão.
Gosto de sentar no chão. Ou na calçada.
Não me incomodo com isso.
Acho até graça em me esparramar assim.
Me sentir confortável onde não estou.
Hmmmm, acho que preciso repensar esta última frase.

Me lembrei. Segunda passada. Olhei quem não queria.
Encontrei denovo quem não queria.
E o mais estranho? Não relutei em olhar para trás.
Segui meu caminho sem nem piscar.
Foi apenas um olhar. E nem pensei e nem senti.
Segui como se nada tivesse acontecido.
Tive orgulho de seguir em frente.


Sábado, Maio 10, 2003

Hoje estou voando baixo.
Hoje o dia foi estranho.
Hoje é sexta. E ela não pode vir.
Hoje ela teve um acidente de carro. Tudo bem. Ninguém se machucou.
Hoje ela estava muito sensível. Acho que não ajudei muito.
Hoje fiquei meio atônita ao vê-la assim. Me senti perdida.
Hoje foi dia que eu tive lembrança.
Hoje foi dia que ela teve lembranças.

O hoje que me refiro já virou ontem.
E amanhã. Amanhã passa.

Hoje estou no Mondo Redondo
O convite está feito. Clique no link e visite algumas lembranças minhas.


Quarta-feira, Maio 07, 2003

Eu tenho estas pérolas.
Acho que as músicas boas me seguem.
Sons me atraem mais e mais.
As letras surgem com meus momentos.
Surgem em horas estranhas.
São as tais horas novamente.

Esta menina é da Indonésia.
Ela canta um pedaço da música assim.
Na língua dela.
E quem se importa em não saber o significado.
Eu me importo. Pois quero saber o que ela tem a dizer.
A letra toda tem a ver com o momento.
Aliás indico para quem quiser baixar - vale a pena.

Uma linda quinta a todos.
Um lindo dia. Com friozinho chegando.
Com cobertor na cama. Com proximidade.
Com fondue, vinho...
Viva o inverno...



On the Breath of an Angel - Anggun

Wherever I Go
Whatever I See
Over oceans unknown
You are always with me

Pure as the water
We float on this wave
On the breath of an angel
I'll fly away

At the ends of your fingers
I'll follow tonight
Caught in the lightening of a
Thousand horizons

We dance for no reason
You hold on so tight
And lost in the fealing of a
Wonderful ride

Di semua Bahasa
Semua wama
Kupahami kata
Yang kau ukir indah

Nyanyi beku angin
Cairkan sengat surya
Di relung hakitu
Bernanyi bidadari

I can hear every word
I see everywhere
Take me into your world you can
Answer my prayers

Rivers of hours
Where time is so rare
Hold me forever say you'll always
be there

Wherever I go (Di semua Bahasa)
Whatever I see (Semua wama)
Over oceans unknown (Kupahami kata)
You are always with me (Yang kau ukir indah)

Pure as the water (Nyanyi beku angin)
We float on this wave (Cairkan sengat surya)
On the breath of an angel
I'll fly away (Bernanyi bidadari)


Porque o Woodstock?
Porque ele sempre esteve naquele galhinho.
Porque ele e o Snoopy sempre foram inseparáveis.
Um cuidava do outro. Aguentava as loucuras.
Um e o outro. Os dois. Nunca separados.
E me lembro quando um fugiu. O outro adoeceu.
E quando voltou. A felicidade voltou.

Pode ser amizade só. Pode ser algo mais.
Mas a vida estava ali aberta. Naquele galhinho acima da casinha.
É no diminutivo mesmo. Fica mais gostoso de se ouvir.
Sempre tem alguém ali acima de nós, nos cuidando.
Sempre tem alguém que fica do nosso lado, que nos dá a mão.
Sempre tem alguém na casa na frente.
Sempre tem alguém...
E quem não tem um Woodstock na sua vida?!


Terça-feira, Maio 06, 2003

Meus olhos estão ressecados.
Estou com um pouco do dor de cabeça.
Estou calma e tranquila como nunca.
Estou dentro de um eixo...
Rodo em mim mesma.

Estou há tempos sem encrenca.
Nada de ruim tem me atingido muito.
Não tenho ficado nervosa.
Não tenho perdido a calma.
Não tenho... e olha que as pessoas provocam.
Tem provocação que nem falo.
Mas para que? Que irritar que nada.
Entra aqui, sai ali. Tá bom bom.
Nem reclamo nem desando.
Apenas ouço e puf... foi...
E isso é tão bom.

Me sinto bem com ela. Me sinto bem no geral.
Me sinto com doses extras de vitalidade.
Me sinto convidada a ir para a Austrália.
Me sinto querendo um apartamento.
Me sinto leve, me sinto assim.
Me sinto em todos os níveis.
Me sinto solta.
Me sinto pelo simples fato de que é bom sentir.
Me sinto acoradada com pensamentos intensos.
Me sinto adormecer em estado lúcido.
Me sinto cadenciar as palavras.
Me sinto amarrar a vida.

Amarro, agarro, não largo de jeito nenhum.
Trago para perto, aperto, abraço, beijo, não largo não.
Conto o tempo, adianto o relógio, trago uma lembrança.
Escrevo, ouço, respiro... poetiso por aí.
Trabalho uma imagem e reflito outra.
Imagino uma paisagem e me espelho lá.
Esqueço do meu corpo e ele fica mais leve.
Lembro do meu corpo e ele toma outra forma.

Porque hoje. Justo hoje. Teve psica.
Porque hoje. Justo hoje. Foi fato.
Porque hoje certifico a calma e a tranqüilidade.
Porque hoje ela me entende melhor que ontem.
Porque hoje eu me entendo melhor que ontem.
Porque hoje eu vejo flores em você.
E te dedico esta flor, a que mais gosto...




Domingo, Maio 04, 2003

10 minutos são 2 horas. E me perco no tempo.
Foram mesmo 10 ou 20 minutos. Foi eterno.
No total. Foram 5 horas e pouco. Talvez seja pouco.
Mas foi um todo de pura satisfação.
Não tem pouco nem muito. Tem desejo.
Tem quatro vezes. Ou tem três vezes.
Dá para fazer inveja sim. Você me entende.
Dá para muita coisa. Daria muito mais.
Se não fosse a noite chegando.

Come rápido. Vai rápido. Chega rápido.
Entra rápido. E fica um vida comigo.
Mais parece algo que não está lá.
Mais parece algo que nunca vai.
Mais parece com algo que não se explica.
É, tem coisa que não se explica e nem se justifica.

Paro, coloco minha mão perto da boca.
Apoio meu rosto na minha mão.
E as sensações estão marcadas na palma.
Vejo os trajetos, os sorrisos, as dores, os amores.
Vejo uma palma de mão completamente aberta.
Vejo uma palma escrito te amo.

Te olho de frente, te olho de costas.
Te olho nua. Te olho nos olhos. O olhar é um deleite.
Te toco, te sinto, me arrepio.
Me excito em segundos... me acalmo, me perco.
Me procuro, me acho. Me sinto. Deixo você me levar.
Me olha, e me fala da mesma forma que antes.
Me admira, e me fala da mesma forma que antes.
Me toca, me acolhe, me faz sentir...
E no fundo sempre tem uma pequena melancolia.
Mas a gente sente mais agora. É sempre mais intenso.
Somos pessoas intensas... eu e você.

Agora neste exato momento horas se passaram.
Agora esfriou um pouco mais. Agora eu tenho você.
Agora coloco a cabeça entre as mãos.
Sinto minhas unhas no rosto. Sinto minha pele mais sensível.
Sinto o inverno chegando. Sinto algo sagrado.
A ponta do meu nariz está gelada.
A ponta do meu dedo está quente.
São apenas pontas do que sinto...


Sábado, Maio 03, 2003

Respira fundo, relaxa, solta o ar.
Cheiro de mato. Grama verdinha, estrada tranqüila.
Pássaros soltos, corrente de ar quente.
As nuvens baixas, outras mais no alto.
Duas pessoas, mais eu. Éramos três.
Meu olhar na estrada, minha mão solta.
Minha respiração melhor que nunca.

A música na volta dizia: "Desire makes me weak"
Pode ser que sim. Pode ser que seja algo que não.
Pode ser que a fraqueza por vezes é o melhor.
Pode ser quem nem sempre o forte é aquele que vence.

O dia de hoje já virou passado.
A noite traz boas surpresas. Traz esperança.
Traz a palavra de conforto. Traz um carinho a mais.
A noite sempre me acolheu.
A noite sempre me traz equilíbrio.
Força e poder de sonhar.
Cansaço e música serena.

É um brinquedo num canto da sala.
É um adulto perdido na floresta.
É uma tosse no meio da noite.
É lembrança estranha dentro do peito.
É um afago na madrugada.
É um, apenas um abraço.
É um simples roçar a boca na boca.

E a gente se apaixona e reapaixona.
Perde e ganha. Cresce e amadurece.
A caça do amor no campo aberto.
Como borboleta pequena. Ou grande.
Daquelas lindas. Que tomam a vista.

Eu não sei onde pode parar. Não sei o caminho da estrada.
Não me interessa muito saber. Sei que o caminho muda.
Sei que existem saídas. Sei que existe acostamento.
Sei que tem posto. Que posso tomar água.
Mas tem o imprevisto. Tem sim.
O imprevisível. Não está ao alcance dos olhos.
Não esperamos por nada. Mas pode acontecer.
Pode ou vai? Não sei. Meu carro ainda anda.
Eu ainda ando sem olhar os retornos.

"You must give yourself to love if love is what you're after,
Open up your hearts to the tears and laughter
And give yourself to love, give yourself to love."
(Give yourself to love - Kate Wolf)


PS: hoje eu dei um presente diferente. Bem diferente. E espero que você tenha gostado.


Quinta-feira, Maio 01, 2003

É tanto trabalho que não sei mais.
Sei sim. Que valorizo o que tenho.
Que tenho orgulho do que faço.
Que estou hiper cansada e preciso dormir.

Chegou o feriado. Prometo um novo texto.
Mas na volta, porque vou e volto.
Passo o dia fora da cidade e volto.
Almoço, bem gostoso, fora... ah lá longe.
No final da estrada, no começo do caminho.

Sem mala no carro, apenas música.
E quem sabe uma nova compania.
E quem sabe uma amiga.
Amanhã. Só amanhã.

Boa noite. Que seja a noite.
Boa e suave, quente, tranquila.
Porque as energias do dia são boas.
Até....