"Todo eu sou qualquer força que me abandona."
Alberto Caiero


Sobre o mar:
25 anos
Publicitária
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Admiradora do mar
Admiradora da lua
Ama música
Ama literatura
Ama as artes

como chegar no fundo do mar? Como está o mar hoje: Meu humor atual - i*Eu!

Ando escutando:

Chico Buarque
Emerson Nogueira
Indigo Girls
Michelle Malone
Vonda Shepard



Na lista de leitura:

A Arte da Guerra

O homem duplicado

Fragmentos de um Discurso Amoroso

Não se pode ser feliz e amar ao mesmo tempo

Onde o mar vai:

A Menina no Espelho
Acaso
Apesar de tudo
Bloco de Notas
Confissões
Haze
Libélula
Meu vício desde o início
Mondo Redondo
On Camera
Rafas
Recanto da Lua
Rosa Menina
Vá!
Vamos?
Walkwoman




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Domingo, Abril 27, 2003

Eu fui pensando num fim. Voltei pensando no começo.
Com música, dança, cerveja, cigarro, pessoas boas.
Com gente sempre interessante.
Com sítio, água de côco, pastel.
Com bolo de fubá, com pão feito em casa e café fresco.
Com quatro mulheres juntas na mesa.
Com dormir junto duas noites seguidas.
Com uma pazzzzzzzz. Com sentido elevado.

A música que entra pelo carro e deixa um ar fresco.
Um passeio que energiza. Uma caminhada boa.
Uma casa... A casa tem cheiro doce. A casa aconchega.
Uma casa... A dona da casa é doce. O filho é doce. A irmã é doce.
Uma casa... uma mesa, sofá, conversa, muita conversa.

Não tem nada de mais não. Mas é por isso mesmo.
Tudo se torna especial. Tudo se torna um belo dia.
Tudo é um lindo entardecer. Tudo é noite estrelada.
Mas nem tudo é como deveria ser.
Pé no chão. Dois foras. Uma dentro.
Pé no chão. Vai me desculpar. Sou muito mais eu.
Pé no chão. Não sou a primeira escolha.
Pé no chão... chão de terra, interior.

Jogo aberto. Palavras abertas. Sei que algo incomoda.
Mas o sorriso, a boca, o olhar, o desejo, a pele que incendeia...
A troca, a gentileza, o carinho e o conforto daquele corpo.
O desejo que aflora de qualquer poro. Apenas alfora.
O amor, que está lá, sem mais explicação. Apenas está.
Porque as vezes a gente não precisa explicar certas coisas.
Ela apenas existem pelo simples fato de existir.

Esta noite eu escreveria um livro.
Tanto quero passar, tanto quero colocar para fora.
Tanto querer. E deitada na cama eu falei.
Eu largaria tudo para ser escritora.
O começo eu tenho. Algumas páginas de um livro.
Mas nunca levei a sério. Porque no fundo eu sei.
Que se eu levar. As palavras me levarão.

Da série: a gente se entende nas músicas e nas letras.
Ela me apresentou mais esta. Ela sabe meu gosto.
Ela deve ter sentindo o mesmo que eu.
Ou ela sentiu o complemento.
Ela acerta... e erra também. Ela é humana.
E a verdade é. Eu não a tenho...

Estácio, Holly Estácio - Luiz Melodia
(versão Luiz Melodia e Zizi Possi)


"Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio

O Estácio acalma os sentidos dos erros que eu faço
Trago não traço, eu faço não caço
O amor da morena maldita domingo no Estácio

Fico manso, amanso a dor
Holliday é um dia de paz
Solto o ódio, mato o amor
Holliday, eu já não penso mais"


Mas como foi que entrou em mim? Pelo amor.
Não pelo lugar. Tomei a liberdade de mudar o lugar.
Imaginei a escola de samba, a dança, os passistas.
O som da bateria... e duas pessoas se amando ali no meio.
Possídas de desejo, torcando olhares, se excitando.
Na rua, na avenida, na favela, na cidade, onde for.
Ali existiam dias e noites de amor e vontade.
Fiquei tentando imaginar a "morena maldita".
Que tirou o amor, que trouxe o amor, a música e a dança.
Imaginei aquela "morena maldita" enlouquecendo seu amor.
Imaginei aquela "morena maldita" enlouquecendo de amor.

mensagens na garrafa:
Sexta-feira, Abril 25, 2003

Ops, deixei uns dias passarem assim.
Estou deixando algumas coisas.
Estou recuperando outras.
Malas prontas. Estrada esperando.
Malas prontas. Cd's no carro.
Fugere Urbem

Agora é partir, para encontrar. Não sei oque me espera.
A estrada não é longa. A vida corre bem depressa.
Pessoas me animam. Me fazem ver e ser feliz.
Não deixo me abater. Não deixo não...
Porque eu luto. Mas não vou ficar de luto.
Porque eu sou assim.
Metade cavalo metade mulher....
Como é gostoso ser mulher né???!!!!

Até a volta....
O mar se despede temporariamente
Já volta. Vai dar volta numa maré que está passando.
O mar vai... o mar volta... é o ciclo natural.
Natureza.. cheiro, campo, árvore, caule, seiva...
Isso é coisa de mulher... que sente.
Tem que ser com mulher. Tem que ter o cheiro de mulher.
Tem que ter na pele uma mulher...

mensagens na garrafa:
Quarta-feira, Abril 23, 2003

Sabe o mais louco de tudo?
Dezembro foi mês de depressão.
E muito tempo depois ouviusse o porque.
Dezembro foi desesperador.
E eu não tive forças para nada.
E muito tempo depois veio a verdade.
E aquilo pareceu como o pior dos sons.
Soou como medo e frio. Soou como terrível.
Um bárbaro terrível e gigante com um machado.

Sabe do que? Eu cansei de falar.
Porque mesmo que eu fale que eu AMO.
Em letras garrafais. De nada adianta.
Se eu falo FICA COMIGO. Bah que besteira.
Se eu falo PORRA QUE SAUDADE.. hmmm tá...
Se eu falo qualquer coisa... da na mesma.
Parece que você não quer mais ouvir isso.
E se não quer. Me mande embora...

Eu aguentei até aqui. E ainda aguento.
Mas até quando? Eu meter a perna no armário?
Já fiz isso? Colocar a porta abaixo no soco?
Já fiz isso? Colocar tudo para fora...
Ao menos o machucado é sempre em mim.
E a violência contra mim.
Chega violento vai violento...
Violência... esta maldita linha tênue....

E mesmo com toda esta violência.
Vem o lado doce.
O lado machucado que me cuida depois.
O lado machucado do corpo externo.
O lado... de qual lado eu não sei.
Qualquer lado, não importa.
Meus dois lado estão doloridos...

Into My Arms - Nick Cave & The Bad Seeds

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candlew burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore
Into my arms, O Lord
Into my arms


mensagens na garrafa:
Terça-feira, Abril 22, 2003

Sim peguei o exame. Sim deu alguma coisa.
Não não sei o que é. Não ainda não melhorei.
Tenho febre e dor no corpo. Tenho falta de apetite.
Tenho fraqueza. Tenho uma dor lancinante dentro de mim.
Tenho chorado todos os dias. Tenho um pouco de tudo.
Mas justo o que eu queria. Eu não tenho.

A vontade era de me esconder. Esconder e nem me achar.
Nem ninguém me acha. Nem eu acho ninguém. Nem eu me acho.
Nenhum lugar me chama. Nenhum lugar eu quero. Não quero nada.
Mas justo o que eu quero. Eu não posso ter.
Malditas semanas... não aguento mais...
Estou quase desistindo.... falta tão pouco para desistir...
Chega... não aguento mais... é difícil demais...
Chega por favor... quanta dor... quanta dor...
Não acaba mais. Amanhã tenho a salvação.
Mas a que preço... que caro... quanto custou.
Eu sei o quanto me custou e tem custado tudo.

Me tira o respiro. Me tira tudo. Pode tirar... tira tudo...
Mas não me tira a possibilidade de poder falar.
Mas não me tira o que eu tenho de bonito aqui em mim.
Mas não me tira o prazer de amar.
Não, por favor. Por favor... não me tira a chance.
Me tira a pele. Me tira qualquer coisa.
Mas por favor, me deixa gostar em paz.

Não sei de onde. Não sei mesmo. Mas tirei força de algum lugar.
Porque eu passei por todos esses dias... passei.
Mais uma vitória para mim. É prova que sou forte.
E de que adianta força? Se não posso mostrar.
Se quando no meio da tarde eu ligo com tanta dor...
E meu remédio esgotou? E meu remédio não pode fazer efeito.
De que adianta? Tentar o extremo?
Tentar algo que eu não faria. Mas fiz...
Mas não tive remédio... e eu só queria paz...
Porque se eu procurei remédio. É que a dor era mais forte que eu.

O que eu queria agora? O que ajudaria?
Que o corpo desligasse. Apenas assim. Desliga o botão.
Religa depois. Desliga agora... pode desligar...
Liga mais para frente. Não tem pressa. Pode ter depressão.
Pode ser físico ou psicológico. Tanto faz.
Mas desliga e não tenha pressa.

Amanhã eu não sei. Hoje eu soube. Amanhã não sei.
Ontem estava incerto. Sábado nem faço idéia.
Sexta menos ainda. Quinta para mim é nada.
Quarta então... é amanhã. Ou seja. Não sei.
Quem sabe você me faça mudar de idéia.
Porque eu acredito neste poder que você tem.
Quem sabe você possa mudar as coisas.
Porque eu quero acreditar que você tenha este poder.
Quem sabe você me convence. Sei lá do que.
Me convença. Se quiser.
Me faça ficar. Se quiser.

E a música diz assim:

Strength For Two - Michelle Malone & Emily Saliers

Is there anything that I can say to you?
Is there anything that you need me to do?
¿Cause I can see your will is gone.
You say you don¿t have the strength to try.
But I have got the strength for two tonight.

Remember back when we first fell in love.
We stood by each other through the push and shove.
Now it¿s hard to say where you stand today.
Looking through a stranger¿s tired eyes.
But I have got the strength for two tonight.

Tell me what you need to hear to change your mind.
I¿d tell you anything, but I¿m afraid that you¿re not listening.
When life and love get separated like a lock and key, someone gets left behind.
Will it be me?

The truth is something that you cannot hide.
And I feel everything you feel inside.
But it¿s hard to say you can go your way, before we try to make this work out right.
When I have got the strength for two tonight.


mensagens na garrafa:
Segunda-feira, Abril 21, 2003

Sem fome, sem apetite, sem absolutamente nada.
Estou uma pessoa sem...
Vou tirar sangue. Vou e estou com medo.
Nunca tive medo. Mas não há de ser nada.
Hoje eu tenho medo. Mas vai dar tudo certo.
Claaaaaro lembrando que hoje é segunda... dãh...

Ontem achei umas músicas que você vai enlouquecer.
E tive tanta vontade de ligar para contar.... mas tanta...
Que tudo que pude fazer foi apenas me calar e ouvir até o dia raiar.
Como se estivesse te mostrando tudo...
Que pena...

mensagens na garrafa:
Domingo, Abril 20, 2003

O simples fato de despertar hoje foi estranho.
Acordei na minha cama, no meu quarto, na minha casa.
Mas meu olhar foi outro. Eu via tudo.
Mas captava imagens de outro lugar.
De um apartamento num outro lugar.
De uma pessoa de outro lugar.

Banheiro, corredor, chuveiro, toalha.
Estava tudo ali. E meu cérebro trazia outra imagem.
O tempo nublado visto da sala.
O tempo nublado que eu vi um dia daquela sacada.
Com aquela pessoa especial.
"Um dia frio... Um bom lugar para ler um livro"
Aquele dia frio que ficamos vendo tv.
Aquele dia frio regado a amor, carinho e sexo.

O apartamento que fica na rua do bar.
Que fomos comer quando tivemos fome.
Que fomos beber e nos divertir.
O bar, depois a comida, depois a volta.
A cama quente. O braço acolhedor.
A carne que suava, o cheiro, o prazer.
Os corpos que se encaixavam, os toques...

Lembro perfeitamente do tempo nublado.
Da conversa. Do porta retrato. Da samambaia.
Daquelas conversas tão prazeirosas.
Da cerveja e do cigarro.
Do colo e do abraço.
Dos beijos intermináveis.
"Que boca é essa" eu ouvia com prazer...

Por mais que usasse tudo. Por mais que tentasse.
Não conseguiria passar tudo aqui. Não, e nem quero.
Pois tem coisas que são para ser vividas dentro.
Bem lá no fundo. A gente tem esses egoísmos.
E tem coisas que são assim. São dentro de nós.
Elas acontecem e tomam as formas que queremos.

Eu deixo aqui dedicada. A lembrança de dias bons.
Eu deixo aqui a recordação e a saudade.
Eu deixo aqui, está ainda dentro de mim.
Essa música não era para mim. Você me falou.

Cantada (Depois de ter você) - Adriana Calcanhotto

Depois de ter você
pra quê querer saber
que horas são?
se é noite ou faz calor
se estamos no verão
se o sol virá ou não
ou pra que é que serve uma canção
como essa?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas?
Pra quê amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas
Depois de ter você?


Depois de ter você. Acho que fiquei mais exigente.
Quero assim, como você ou mais que você.
Se for menos, nem chance tem.
Porque pelas conversas. Parece que você eu não tenho mais.
Parece que talvez você não venha mais.
De certa forma pode demorar. Por isso acho melhor dizer.
Que talvez você não volte mais. E se voltar?!
Pode ser sorte a minha. E se não voltar?!
Pode ser azar o meu...
O que eu sei?! Que é sempre intenso.
Que há sempre amor...

E aquela sensação de que nunca conseguirei.
Ou conseguiremos... Aquela felicidade plena.
Pois você tem medo. E eu não te dou segurança.

mensagens na garrafa:
Sábado, Abril 19, 2003

Dia de festa. Parabéns. Bolo. Aniversário.
Minha irmã faz 24 anos. E fiquei com medo.
Ela não é uma pessoa qualquer. Ela é a pessoa.
Um anjinho... eu preciso dela na minha vida.
Acho que eu não seria a mesma sem ela.

Alteração no cromossomo 21. Síndrome de Down.
Aulas de biologia ajudam nesta hora.
Atenção redobrada e olhos vidrados na explicação.
Um pedacinho encaixa num lugar que não devia.
Um criança nasce. Down. Síndrome de Down.

Pode ser até síndrome sim. Mas para quem é de fora.
Para mim é mais uma bênção neste caso.
Tudo mudou por causa dela. Eu sou assim por causa dela.
Eu nunca me deixei levar completamente por causa dela.
Minha família ainda é inteira por causa dela.
Mas acho que ela se sobrecarregou...

Um lugar específico. Um detalhe. Um nada.
A verdade é que nunca fui muito a fundo nisso.
Tenho algumas explicações. E elas me bastam.
Tenho ajuda, tenho pensamentos. E eles me bastam.
Tenho fé. Tenho uma irmã que é quase como filha.
E ela me basta por todo este amor que sinto.
E ela me deixa assim. Me abraça e me sorri.
E ela é tudo que eu tenho de puro nesta vida.
Ela não tem malícia. Ela não tem maldade.

Ela completa 24 anos. E o Down não vive muito.
Isso me dá medo. A expectativa de vida aumentou.
Mas será que eles aguentam isso? Não sei.
Eles tem o seu caminho mais que trilhado. Tudo certinho.
E eu tenho medo do amanhã. Tenho medo de dia e de noite.
Eu sou eternamente feliz pelo que me foi proporcionado.
Eu sou essa agora. Por causa dela.

Você nem pode imaginar. Pois não sabe como ela é.
Pode ter um contato. Pode mudar alguma coisa.
Ela sempre faz as pessoas mudarem.
Ela muda todo dia. E cada dia é conquista nova.
A gente vibra com uma palavra nova. Gesto novo.
Gosto novo. Qualquer coisa nova. A gente vibra.
Como se fosse apenas o primeiro passo.
E são tantos passos. E a gente vibra igual.

Ela é assim. Para mim. Para a nossa família.
Para quem toma contato com ela.
E aquele sorriso que dá inveja a qualquer um.
E aquele abraço e o beijo delicioso.
A sensação dos braços, do corpo. A delicadeza.
Só ela. Só assim. Só para entender dos cuidados.

Ela dorme agora. Está agitada. As pessoas vão chegar.
Amigos e parentes. Pessoas especiais. Vão chegar.
E ela sonha agora. Para se preparar. Ela é assim.
Não é muita gente. É gente especial. Que convive com a gente.
É gente que sabe o que encontra aqui.
Ela é minha casa. Meus pais e eu.



Parabéns para você minha irmã querida.
Muitas felicidades e muitos anos de vida.
Você não pode ler isso aqui.
Mas você sabe sentir o que te passo.
E eu te ensinei muito, mais muito mesmo.
Parabéns para você....
Quero os brigadeiros que você fez...
Quero as tortinhas que você fez...
Quero aquele sorriso estampado...

PS: é uma pena que você esteja acompanhada, pois eu faria questão que hoje você estivesse aqui em casa.

mensagens na garrafa:
Quinta-feira, Abril 17, 2003

Ela pensou que poderia estar errada.
Tirou a roupa. Viu o pijama debaixo do travesseiro.
Teve preguiça de trocar. São sempre tantas mudanças.
A cama feita. O travesseiro.
Preferiu sentar no chão encostada na parede.
Deixou as pernas dobradas. Pendeu a cabeça sobre os braços.
E se deixou ali. Esquecida. Luz morta. Som inabalado.
Não soube quanto tempo se passou.
Sentiu o silêncio cada vez mais presente.
Da janela nada vinha. Da janela...
O mundo dela começava naquela janela.

Tudo o que tinha estava ao seu redor.
Sua música. Sua poesia. Seus livros. Sua história.
Pensou alto. Tão alto. Que rompeu em choro.
Pensou em quem havia partido. Pensou em quem nunca partiu.
Pensou no fim da guerra. Num herói. Num bandido. Num patriota.
Pensou apenas por pensar. Pois queria não pensar.
Assim como por vezes preferia não sentir.

Talvez ela esteja um pouco doente. Talvez.
O seu corpo está melhor. Bem melhor. Talvez.
Sua falta de fome seja alguma outra coisa.
Talvez o paladar. Ou a comida. Ou a falta.
O rosto mais fino. A cintura afilada.
O ouvido atento. A boca sedenta.
Mais parece um animal fora do nicho.

Se fechou novamente. Viu seu bem querer transitando.
Nas ruas por onde um dia passou. Ruas que não são do seu bairro.
Viu aquela pequena cena que passou na tv.
Lembrou daqueles corpos se identificando.
O ritual dos movimentos. Dos cheiros. Dela.
Ela pensou que não cairia.
Sempre soube que o chão não era seu limite.

As lágrimas ardiam em seu rosto. Calor. Muito calor.
E tinha calafrios. As pernas geladas. Os pés gelados.
Tremeu. Suspirou. Pensou numa flor. Numa colina.
Lembrou da sensação do penhasco. Da vontade repentina.
Da colina escondida. O leito do rio ao lado do hotel.
Passou as boas lembranças pela memória.
Lembrou das viagens que fazia sozinha.
Ela nunca teve medo do mundo.
Ela nunca teve medo da estrada.

Ergueu a cabeça. Tentou rezar. Mas ela esquece as palavras.
Desistiu. Tentou levantar. A perna falhou. Caiu no chão.
E ali se deixou. Adormeceu ali. De roupa. No chão. Com frio.
Até que a despertassem. Até que alguém colocasse a mão nas costas.
E a ajudasse. E falasse para se trocar e deitar na cama.
Tão mais confortável.
Em nada ela se sentia confortável.

A contra gosto ela foi. Não que fosse vontade.
Talvez necessidade. Mas não era vontade.
Teve as vontades roubadas esta noite.
Teve as vontades realizadas por outros.
E não teve prazer nenhum naquilo.
Então por necessidade. Ela jogou o corpo.
E desistiu daquela noite...

mensagens na garrafa:
Terça-feira, Abril 15, 2003

Estou meio lesada de sono.
Bem que eu poderia dormir agora.
Acordar sábado para a festa da minha irmã.
Dormir denovo.
Acordar depois de quarta...

A verdade é que mal consigo ficar de olhos abertos.
Isso pode ter duplo sentido. Ou não.

Não sai mais nada daqui hoje.
E olha que já saiu bastante.
Não sai nada... e tem tanta coisa saindo.
E chegando. Chegou um email.
Direto. Sem rodeios. Eu gostei. Eu assustei.
É a mais pura verdade. Você está ali.

Da série dedique uma canção a quem você ama:

Certas Coisas - Lulu Santos

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...


A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz,
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...
E digo.


E fico na dúvida.
Continuo falando? Ou me retiro?
Não sei o que pode ser melhor para você.
Ter a certeza sem ouvir. Ou ter medo ouvindo.
Eu penso no que pode ser melhor para você.
Porque para mim... eu vejo depois...

mensagens na garrafa:

É isso mesmo. Ainda acordada.
Até estava com sono. Até estava cansada.
Até tentei dormir. Mas com o frio. E o choro.
O travesseiro não foi o lugar mais legal que achei.

Os olhos ficaram vidrados na sombra do armário.
A chave, a intensidade da luz que vinha da tv.
A cortina fechada, o cobertor... que frio.
Continua frio. Não para de esfriar.

Mudou a estação e mudou você também.
Ou será que não mudou? Eu que não tinha percebido?
Mudou tudo, vento, frio, noite, insônia, pesadelo.
Ou será que eu mudei? E eu nem percebi?

O problema é. Como se ama alguém que tem medo de você?
Alguém me explica isso? Por favor... por favor...
O medo acabou por tornar a minha noite mais fria.
O medo me levou a lugares que eu não queria.
Eu não tenho medo. Mas as pessoas sim.
Culpa minha... acho eu... por ser assim.

Cobertor vermelho. Pijama. Livros na cabeceira.
Uma imagem. Um quadro. Filmes e mais filmes.
Poesias que não param de aflorar.
Tudo me espera. Está tudo ali. E eu não quero nada daquilo.
Vontade mesmo é de trocar de roupa e andar na rua.

A tv no canal chato. A noite mais silenciosa.
Ainda espero. Quem sabe fale comigo.
"Fale com ela", abra o jogo.
Esperei outra fala sua.
Mas emudeceu tudo aqui.
Vim te encontrar... mas você não me viu...
Que triste esta noite.

Tenho medo de ir para cama e ter pesadelos.
E o tanto que amo. E o mesmo tanto estou muito triste.
No mesmo lugar e no mesmo espaço. Os dois juntos.
Agora você pode imaginar como está meu corpo?
As suas sensações ao mesmo tempo.
Tenho medo de acordar amanhã mais cansada ainda.

Quando - Álvaro de Campos

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.


mensagens na garrafa:
Segunda-feira, Abril 14, 2003

Acorda, acorda...
Olha o telefone aí tocando.
"Alô. É você?! / Já te ligo"
"Oi, sou eu! / Me liga?"

Tudo regado àquela voz de sono fenomenal.

Ah e pode ser cedo que não importa.
Pode ser num domingo cedinho.
Pode ser sábado de madrugada.
Pode ser a hora que for.
Mas que SEJA !!

Passou o final de semana.
Eu dei um jeito no sábado de noite.
Acordei bem domingo. Fui feliz pela minha mãe.
Ela se emocionou com cada coisa estranha.
E me abraçou o dia todo. Dia todinho.

Nos falamos de manhã. Nos falamos denovo.
Mas de tarde nada. De noite menos ainda.
Que raiva de você sumir assim.
Tenho raiva as vezes. Tenho raiva de não poder segurar.
Quero, e como eu quero. Quero muito.
Mas você me escapa. Corre, vai, foge, some.
E reaparece e eu fico a sorrir sem parar.

E fico feito uma louca a pensar.
E fico batendo a cabeça na parede.
Será que atrapalho? Será que faço o certo em falar?
Mas se não falar eu enlouqueço.
"Duela a quem duela" não é mesmo?!
Pois assim que está sendo.
Dor de cá. Dor de lá.
É muito riso misturado.
É muito tesão misturado.

Ok. Começa a segunda. Com revisão do carro.
François vai para o médico. Volta logo.
Fica mais bonito e forte. Preciso dele na estrada.
Sim meu carro tem nome. E ele é fofo. É francês.
Um charminho, quem andou sabe. Quem passeou sabe.

Mas o que o carro tem a ver com tudo?
Ele me leva. Ah mas eu preciso poder ir.
Ele me leva. Ah que droga... quero ir logo.
Feriado e sem perspectiva.
Feriado... compromisso aqui.
Feriado...

Tô enlouquecendo. E a culpa é sua.
De tanta saudade que me aflige.
De tanto querer que me deixa assim.
Tô enlouquecendo. E a culpa é sua.
Quem mandou você amar assim?
Quem mandou eu amar assim?

O que vai dar isso? Temos medos. Muito medo.
Nem sei. Nem quero saber.
Contar o final do filme é podre.
Tem que ver tudo para saber.
Se pode machucar? Pode. mas e daí...
Importa que foi... aconteceu... e pronto.

mensagens na garrafa:
Domingo, Abril 13, 2003

Hoje o mar pode ser encontrado também em outro lugar.
O mar foi parar no Mondo Redondo.
Vocês podem conferir meu texto e de uma outra galera muito especial por lá.
Vale a visita!

Amanhã é dia de aniversário. Minha mãe.
Mais um ano. E ela continua linda.
A pessoa que eu mais venero. Que eu mais admiro.
Ela é a pessoa. Que eu me espelho para ser.
Claro, mudando algumas coisas...
Claro, melhorando outras...

Eu senti o dia passando cada vez mais frio.
O choro que me acompanha incesante.
Rompe, vem, marca.
"Oi, sou eu, estava com saudades e te liguei"
A voz suave do outro lado. Me acalma.

Eu apenas queria dizer.
"Desiste de tudo. Para tudo e fica comigo."
Mas não tenho este direito.
"Vem comigo. Vem para perto de mim."
A vontade de dizer tem. Mas a voz falha.
O sentimento mora aqui. Mas a voz falha.

A janela aqui do quarto mostra uma árvore.
A janela aqui do quarto mostra o céu.
Meu olhar segue as folhas no vento.
Meu olhar segue os pássaros.
Meu pensamento segue você.

Fico tecendo discursos. Fico imaginando.
Procuro imóveis. Pocuro você. Procuro a mim mesma.
Transito na casa fria. Olho as pessoas. Arrumo a mesa.
Escrevo. Ouço. Vivo. Sinto. E o telefone toca novamente.
A voz doce. Sua voz é doce. Te falei isso?

Tenho medo do que posso fazer. Tenho receio de não conseguir.
O novo passo já conhecido. A direção. O mapa. A estrada.
E eu queria entregar o que comprei. Mas quando? Onde?
Se estiver assim. Somente quando já tiver passado.



E a janela me suga novamente. Agora já é noite.
Escureceu. Os pássaros se foram. A árvore ainda está.
Escureceu, esfriou. E a vontade de estar contigo aumenta.
Escureceu. E a idéia de me deitar sem você assusta.

mensagens na garrafa:
Quinta-feira, Abril 10, 2003

Noite. Chuva rala caindo.
Noite. Chuva estranha caindo.
Noite. Anoiteceu... E agora?
É a espera do dia seguinte.

A conversa solitária dentro do carro.
Um pequeno discurso de um fragmento amoroso.
A música de fundo. E o diálogo formado.
Uma peça. Um ato. Uma vontade. Duas pessoas.
Palco, cenário, figurino, monólogo.

Palavras que vão para o futuro.
Palavras que não foram ditas. Mas recriadas.
Palavras que podem fazer a diferença.
Palavras ao vento, fugindo pela fresta da janela.

Eu queria dizer. Vem comigo. Vive comigo.
Deixa ser aquela que te espera de noite.
Deixa ser aquela que sempre estará lá.
Deixa ser, deixa... toma este barco.
Eu queria dizer. Que dói não viver perto.
Que a distância é diferente. Que o chão é duro.
Deixa ser aquela que te faz carinho de noite.
Deixa ser aquela que prepara sua cama.
Deixa ser, deixa... constrói comigo.
Eu queria dizer. Que sufoca sem seu perfume.
Aquele que fica dentro da pele. O tal cheiro.
O tal beijo, o tal abraço, o tal carinho.
Deixa ser aquela que no meio da noite te afaga.
Deixa ser aquela que arde de vontade por você.
Deixa ser aquela que traz o sexo e o tesão.

O carro continuava em movimento.
A chuva naquele dia era ferrenha.
A solidão estava de passageira.
O amor acompanhava no banco de trás.
Todos juntos conversávamos.
Entramos em consentimento.
Entramos em outra estrada... assustamos.
A velocidade aumentava. A chuva também.

Atrás. Pelo retrovisor. Correndo.
Me alcançando. Vinha sem controle.
Atrás. ainda estava atrás.
Não conseguia me alcançar.
A saudade vinha sem controle.
Eu estava sem controle.
Eu largaria tudo para ficar.
Eu apressaria as horas.
Eu deixaria o mundo para trás.

Eu ainda deixo tudo se for preciso.
Meus começos são intensos. Precisa acompanhar.
Meus meios são intensos. Meus finais são intensos.
Eu acelero. Vou. Estou indo. Eu amo.
Eu venero, idolatro, eu intensifico.
Eu mistifico, eu sou assim...

E agora? Eu daria um mundo por estes olhos.
Que eu os tivesse para mim. Eu daria um mundo.
Eu sonharia seus pesadelos.
Eu caminharia sem saber para onde.
Eu me declaro. Culpada por te amar assim.
Eu me declaro. Inocente pelo amor que sinto.

Amor, eterno amor - Rachel de Queiroz
(trecho retirado do Caderno 2 dia 20/07/02)

Amor: Amor é uma coisa que dói dentro do peito. Dói devagarinho, quentinho, confortável.
É a mão que vem da cama vizinha, de noite, e segura na sua, adormecida.
E você prefere ficar com o braço gelado e dormente a puxar sua mão e
cortar aquele contato, tão precioso ele é. Amor é ter medo - medo de quase tudo -
da morte, da doença, de desencontro, da fadiga, do costume, das novidades.
Amor pode ser uma rosa e pode ser um bife, um beijo, uma colher de xarope.
Mas o que o amor é, principalmente, duas pessoas nesse mundo.


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O mais louco é que eu sei que a pessoa lê isso tudo.
E isso me deixa mais feliz ainda.
A paixão e o amor são meu barco motor.
Deixo escancarado mesmo.
Quando amo. Eu falo.
Quando odeio. Eu falo.

Sempre falo. E por isso as vezes me dou mal.
Não importa para quem seja. E como seja.
Eu sempre enfretei tudo. De cabeça erguida.
Se errei, levei e aprendi.
Se acertei, bom para mim... e aprendi.

É meu motor. A paixão. A solidão.
É meu motor. O amor. A dor.
Todos os sentimentos me movem...
... neste mar irriquieto...
E eu digo, porque depois. Vai que eu vou.
E eu digo, porque depois. Vai que ela vai.

A gente espera. Se cuida e não deixa cair.
Eu acho que por vezes espero tempo demais.
Sendo que sou impaciente.
Mas tem gente que merece a espera.
Mas tem gente que não sabe esperar.

Não me movo por causa dos outros.
Me movo porque tenho pernas.
Me movo e sinto através de mim mesma.
É bem verdade que para toda ação tem uma reação.
Mas a reação nasce da gente.

Uma coisa que me irrita muito.
Duvidar do meu sentir.
Se eu sinto é ponto. Não tem mais o que falar.
Se eu falo é ponto. Não tem mais o que sentir.
Os dois se complementam. E se tornam o todo.

Hoje eu quis escutar... e ouvi.
Que saudade é bom. Que bate forte.
E que semana ... faz um favor para mim?!
VOA... passa muito rápido...
VOA... vai logo...
VOA... não demora...
VOA...

Que eu estou aqui já esperando.
Alguém que ainda nem foi.
NFHMILY

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Terça-feira, Abril 08, 2003

Tive frebre. Tenho sono.
Estou cansada. E a semana mal começou.
Estou com saudades.

Queria apenas deixar aqui a música.
Que cantei para você.
Se lembra?! Na estrada?!
Cantei e canto e sempre cantarei...
Quando você quiser ouvir. Apenas me procure.

Vou sentir saudades. Já estou com saudades.
E você me deixou terna. Me deixou assim.
Olha... vai, mas volta logo.
Não me deixa sem notícias.
Não me deixa.

A menina que mora em mim.
A garota, a adolescente, a jovem, a adulta.
Todas elas são mais quando são com você.
Todas elas são mais...
Eu sou mais... mais eu...

Pode ser uma declaração.
Pode ser uma rasgação.
Pode ser qualquer coisa...
O que é importa é que é.
E isso faz toda a diferença...

Have I Told You Lately - Rod Stewart

Have I told you lately that I love you?
Have I told you there`s no one else above you?
You fill my heart with gladness, take away all my sadness,
Ease my troubles, that's what you do.

For the mornin' sun and all it's glory
Greets the day with hope and comfort, too.
You fill my life with laughter, somehow you make it better,
Ease my troubles, that's what you do.

There's a love that's divine, and it's yours and it's mine
Like the sun.
And at the end of the day, we should give thanks and pray
To the one, to the one

Have I told you lately that I love you?
Have I told you there`s no one else above you?
You fill my heart with gladness, take away all my sadness,
Ease my troubles, that's what you do.

There's a love that's divine, and it's yours and it's mine
Like the sun.
And at the end of the day, we should give thanks and pray
To the one, to the one

And have I told you lately that I love you?
Have I told you there`s no one else above you?
You fill my heart with gladness, take away all my sadness,
Ease my troubles, that's what you do.

Take away all my sadness, you fill my heart with gladness,
Ease my troubles, that's what you do

Take away all my sadness, you fill my heart with gladness,
Ease my troubles, that's what you do


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Domingo, Abril 06, 2003

O que eu tenho a dizer?
Que foi revigorante.
Sábado de teatro. De jantar no japonês.
De conversa. De presença que é boa.
Sábado de riso. De crianças.
Sábado de musicais. De estar bem.

Domingo? Ah que domingo.
Acorda rápido, toma banho, corre, corre...
Quer chegar logo... vai rápido.
A chuva vem chegando.
A estrada seca... o tempo...
Corre, vai logo... assim aproveita mais.

E aproveitou? Ahhhhhhhhh aproveitou SIM.
Comeu, comeu, comeu...
Se é que vocês me entendem.
Comeu, dirigiu, foi feliz...
Está feliz, e sorri feito criança.
Sente a presença mais forte.
Vê que existe mágica no ar.
Atração, contato, alegria, conversa...

Tem tudo ali. No final de semana.
Que revigora e deixa saudade.
Que tem história na história.
Que tem estrada e tempo bom...
Que tem muuuuuuito sorriso.

Se o mar anda triste? Sim anda.
Se o mar chora todos os dias? Sim chora.
Mas o mar também sabe mudar a maré.
E o mar sabe sorrir como ninguém.

Pois o mar hoje é saudade.
Pois o mar hoje é sorriso.
Pois o mar hoje é calmo.
Pois o mar hoje foi sacramentado.

O mar, sou eu. O mar e eu.
Nós agradecemos às duas pessoas.
Do sábado e do domingo.
São diferentes. As duas.
E fizeram toda a diferença.
Cada uma à sua maneira...
... de mexer com o mar...
... de mexer comigo...

Para você que fez o meu sábado:
Obrigada pela amizade sincera.
Obrigada por ter aparecido.
Espero que fique por muito muito tempo.
Muita alegria para este dedinho mindinho do pé...rs

Paravocê que fez o meu domingo:
Obrigada por todo este amor.
Obrigada por sempre estar lá.
Espero que fique por muito muito tempo.
"...I like the way you say my name in the middle of the night while you're sleeping..."

mensagens na garrafa:
Sexta-feira, Abril 04, 2003

Assim mesmo. Só assim que vai.
Quando a gente fala alguma coisa.
Vem outra. Quando a gente lembra uma alegria.
Parece seguida de alguma tristeza.
Que mar é esse que anda em tormentas?

Que choro é esse que rompe todos os dias?
Que choro é esse que faz meus olhos secarem?

Amanhã as Amídalas entram em cena.
Preciso disso. Teatro. Crianças. Pureza.
Preciso aplaudir minha amiga.
E sorrir... como criança...
Por horas me afasto de ser gente grande.

As vezes eu me canso disso sabe?!
Me canso mesmo. E consigo desabafar sendo criança.
Mas aí me canso de ser criança... e volto a ser gente grande.
Depois volto... e vou... e fico assim... nesse indo e vindo.

Final de semana que chega. A vontade de estar fora.
Final de semana que chega. Amídalas. Interior.
Tem tudo para ser. Espero que seja. Eu preciso que seja.
Assim como preciso de ar. Este final de semana...
Preciso que seja... meu ar, meu viver... preciso...

Aqui está a letra. Aqui está a música.
Aqui estou eu. Aqui está o meu eu.
Aqui está tudo.
É bem verdade que poderia ser tudo em negrito.
Mas fica só um pedacinho... mas eu queria tudo...
Eu queria tudo e com muita força...
Mas eu tenho um pedacinho...



Here Comes The Rain Again - Eurythmics

Here comes the rain again-
Falling on my head like a memory,
Falling on my head like a new emotion.

I want to walk in the open wind.
I want to talk like lovers do.
I want to dive into your ocean.
Is it really with you?

So baby talk to me
Like lovers do.
Walk with me
Like lovers do.
Talk to me
Like lovers do.


Here comes the rain again-
Raining in my head like a tragedy,
Tearing me apart like a new emotion.
I want to breathe in the open wind.
I want to kiss like lovers do.
I want to dive into your ocean.
Is it really with you?

So baby talk to me
Like lovers do.

Here it comes again.
Falling on my head like a memory,
Falling on my head like a new emotion.

Here it goes again.
Here it goes again.

I want to walk in the open wind.
I want to talk like lovers do.
I want to dive into your ocean.
It is really with you.

Here comes the rain again-
falling on my head like a memory,
falling on my head like e new emotion.

I want to walk in the open wind.
I want to talk like lovers do.
I want to dive into your ocean.
Is it really with you?

Here comes the rain again-
Falling on my head like a memory,
Falling on my head like a new emotion.


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Quinta-feira, Abril 03, 2003

Eu não vinha.
Eu ando estranha.
Eu apenas estou andando.

Que coisa é essa?
E eu era mais tranquila.
Menos tristonha.
Gosto de sorrir.
Gosto de estar bem.
Me falaram do meu sorriso...

E quanto mais eu tento sorrir.
Mais pedras aparecem.
E quanto mais eu tento me alegrar.
Mais penhascos parecem surgir.
E o caminho sempre tortuoso.

Mas não importa o caminho.
Eu gosto de andar.
Não importa tempestade.
Eu gosto de andar.
Não importa rochedo.
Eu gosto de andar.
Não importa nada.
Porque sempre estarei andando.
Pelos meus próprios passos.

Eu sei lá o que está acontecendo comigo.
Eu sei lá porque meus sentimentos afloram assim.
Eu sei lá porque te amo assim.
Eu sei lá o porque de tudo isso.
Eu sei lá porque a dor ainda mora comigo.
Sei lá...

Sei que está tarde.
Que preciso dormir.
E que uma dor fininha mora aqui dentro.
E que... eu ia colocar uma letra aqui...
Mas... fica para amanhã...
Pode ser que amanhã não faça tanto sentido.
Mas mesmo assim... deixo para amanhã...
O sentimento de hoje...
Porque eu sei que não vai mudar mesmo.

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Quarta-feira, Abril 02, 2003

Meus olhos estão ardendo.
E minha visão nunca foi tão boa.
Por dentro, por fora, pelos lados.
De elogios e mais elogios.
Meu corpo está mais tranquilo.

Colírio. O olho secou.
Choro. O olho molhou.
Veio de dentro e rompeu.
Foi para fora.
Foi difícil.

Pode ser o que for.
Pode ser onde for.
Pode ser...
E então?!
Que seja!!!

Se for dor. Que seja a pior delas.
Se for prazer. Que seja ao máximo.
Se for alegria. Que dê cãibra.
Se for... qualquer sentimento.
Pois vim ao mundo para sentir.
Pele ao vento... Coração aberto...

E nessas. Tenho sentido mais dor que antes.
Tenho sentido o que perdi.
Tenho visto o tanto que perdi.
Tenho certeza das perdas irreparáveis.
Porque o tempo pode voltar.
Mas não volta como antes.
Quem sabe pode voltar melhor.
Da mesma forma dói... esse compreender dói.

Mas aí eu escuto isso:

"queria ir até aí... não queria que vc viesse...
porque quero que saiba que EU quero te ver... quero me mover...
quero me sentir indo ao seu encontro..."




E me preencho novamente.
E vejo que eu acredito.
Me entrego e sempre vou acreditar sim...

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